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Dólar fecha a R$ 5,46 e Bolsa encerra com queda de 2%, após piora em NY

Temor frente ao aumento de casos do coronavírus nos Estados Unidos pressionou o mercado local e o câmbio, que não melhorou mesmo após a intervenção do BC

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2020 | 09h18
Atualizado 01 de julho de 2020 | 12h51

A piora das Bolsas de Nova York, em consequência do aumento de casos do coronavírus nos Estados Unidosfizeram a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, aprofundar as quedas nesta sexta-feira, 26. Em um pregão já negativo, o mercado brasileiro encerrou com queda de 2,24%, aos 93.834,49 pontos. A aversão ao risco também atingiu o dólar, que mesmo com intervenção do Banco Central, fechou com valorização de 2,38%, cotado a R$ 5,4604.

O diretor do Instituto de Alergias e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos, Anthony Fauci, afirmou que algumas áreas do país estão enfrentando "sérios problemas" com o aumento de novos casos de coronavírus, como o Texas, que precisou parar o processo de reabertura dos negócios  Na Ásia, a Índia renovou o recorde de novos casos diários da covid-19 pela terceira vez consecutiva e se aproxima de 500 mil infecções.

 

"A Bolsa brasileira está acompanhando conjuntamente o movimento no exterior, com a piora do humor pautada pela volta do aumento de casos da covid-19. Como essa pandemia envolve muitas incertezas, o mercado mantém a volatilidade e acaba realizando no fato, ou seja, quando está vendo a segunda onda da doença acontecer", disse Carlos Lopes, economista do banco BV.

A piora no exterior puxou para baixo o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, que cedia 2,56%, aos 93.524,34 pontos na mínima do dia. Com os resultados de hoje, a B3 acumula perda de 2,83% na semana, mas ainda tem ganho mensal de 7,36%.

Entre as maiores quedas da B3, estão as ações de commodities e dos bancos, pressionadas pelo incerto cenário de recuperação do exterior e a queda do petróleo. Petrobrás ON fechou com queda de 2,19%, enquanto Itaú Unibanco cedeu 1,68%. Já Bradesco PN e Banco do Brasil ON caíram 3,09% e 3,60% cada.

Câmbio

Com a valorização desta sexta, o dólar fecha a semana com ganho de 2,68%, na terceira semana seguida de resultados positivos. Mais cedo, para conter a alta da moeda, o Banco Central injetou US$ 502 milhões de dólares à vista, numa operação que foi seguida de máximas sequenciais no valor da moeda, até R$ 5,50, com ganho de quase 3%.

O índice DXY, que mede o comportamento do dólar ante divisas fortes, chegou a operar em queda, mas o movimento perdeu força e índice segue perto da estabilidade, aos 97.445 pontos. Já o Credit Default Swap (CDS) de cinco anos do Brasil, termômetro do risco-País, era negociado em 269 pontos, ante 267 do começo da tarde. Na última quinta-feira, 25, as taxas fecharam em 260,9 pontos.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento realizado pelo Estadão/Broadcast, o dólar turismo é negociado próximo de R$ 5,70, nesta sexta. Já o dólar para julho, acompanhando o movimento de alta da moeda americana, fechou com valorização de 2,4%, cotado a R$ 5,4850.

Contexto internacional

Já na Europa, a presidente do Banco Central Europeu (BCE)Christine Lagarde, disse que a zona do euro provavelmente já superou o pior da pandemia do coronavírus, mas apontou também que ainda há um sentimento de cautela frente a possibilidade de uma segunda onda de infecções.

Enquanto isso, na Ásia, o mercado teve uma sessão positiva, apesar do mais recente capítulo na tensão China-EUA. Na última quinta, o Senado americano aprovou uma proposta para impor sanções a autoridades e empresas chinesas envolvidas na aplicação de novas leis de segurança nacional em Hong Kong. 

Bolsas do exterior

A aversão a riscos causada pelo aumento de casos do coronavírus derrubou as Bolsas de Nova York, que vinham tendo um pregão positivo pela manhã. Em resposta, a os índices tiveram quedas expressivas: o Dow Jones caiu 2,84%, o Nasdaq recuou 2,59% e o S&P 500 cedeu 2,42%.

Porém, o pessimismo do mercado americano não atingiu a Ásia, onde as Bolsas fecharam em alta. O japonês Nikkei subiu 1,13% e o sul-coreano Kospi avançou 1,05%, mas a exceção foi a Bolsa de Hong Kong, que cedeu 0,93%. Na China continental e em Taiwan, um feriado manteve as Bolsas locais fechadas pelo segundo dia consecutivo. Na Oceania, o mercado australiano também ficou no azul, com alta de 1,49%.

Na Europa, o clima ainda era favorável pela manhã, mas o avanço da covid-19 nos EUA segurou os ganhos no continente e fez Stoxx 600 encerrar com queda de 0,39%. Apenas Londres teve resultado positivo e fechou com alta de 0,20%, mas Frankfurt e Paris, por exemplo, caíram 0,18% e 0,73% cada. Milão cedeu 0,57%, Madri recuou 1,26% e Lisboa teve perda de 0,33%.

Petróleo

O mercado de petróleo vinha tendo uma manhã positiva, mas os ganhos caíram por terra logo após o aumento de casos da covid-19 nos Estados Unidos, que colocaram em questão a possível retomada da economia. 

Com isso, o WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em queda de 0,59%, a US$ 38,49, com recuo de 3,36% na comparação semanal. Já o Brent para setembro, referência no mercado europeu, cedeu 0,46%, a US$ 40,93 o barril, com queda semanal de 2,98%./MAIARA SANTIAGO, SIMONE CAVALCANTI E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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