Marcelo Sayão/Reuters - 17/5/2019
Marcelo Sayão/Reuters - 17/5/2019

Relatório da reforma da Previdência agrada e dólar cai a R$ 3,85

Embora grande parte das alterações no texto original já fosse esperada, o mercado ficou otimista com a economia fiscal prevista no substitutivo, de R$ 913,4 bilhões em dez anos

Altamiro Silva Junior e Paula Dias, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2019 | 09h57
Atualizado 14 de junho de 2019 | 10h36

O otimismo dos investidores com a reforma da Previdência levou o dólar a fechar a sessão desta quinta-feira, 13, em queda de 0,31%, a R$ 3,8549, no segmento à vista. O principal evento do dia foi a leitura do parecer sobre a reforma na Comissão Especial da Câmara, feita pelo relator, Samuel Moreira (PSDB-SP).

Boa parte das alterações no texto original já era esperada, como a exclusão de Estados e municípios e do regime de capitalização. No entanto, o mercado gostou da economia fiscal prevista no substitutivo, de R$ 913,4 bilhões em dez anos. O valor não seria tão distante do R$ 1,2 trilhão projetado inicialmente pelo Ministério da Economia. Além disso, a avaliação é de que é possível que o plenário da Câmara vote a proposta antes do recesso parlamentar.

No mercado de ações, o Ibovespa fechou em alta de 0,46%, aos 98.773,70 pontos, apesar da queda das ações do setor financeiro. Pesou sobre os bancos a retomada da alíquota de 20% na Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) proposta no relatório da reforma da Previdência. Em Wall Street, os índices acionários também subiram.

"A economia fiscal do relatório é um número bom e o mercado está contando com a declaração do Rodrigo Maia, de que a votação deve ocorrer no começo de julho", afirma a economista-chefe do Grupo Ourinvest, Fernanda Consorte. Na quarta-feira, Maia disse que o objetivo é votar o texto na primeira semana do mês que vem. Anteriormente, ela destaca que a aposta majoritária do mercado era de que a primeira votação na Câmara fosse ocorrer só no segundo semestre. 

O economista-chefe em do grupo holandês ING para América Latina, Gustavo Rangel, avalia que a desidratação do relatório apresentado hoje foi "modesta". Para ele, é possível votar o texto antes dos deputados entrarem em recesso, em meados de julho, mas o cenário mais provável é de votação em agosto, após a volta dos deputados. Rangel destaca que o ambiente político no Brasil melhorou nos últimos dias, com o apoia à reforma se ampliando, mas pressões de grupos de interesse ainda podem provocar mudanças importantes no texto até a aprovação final, deixando o mercado volátil. 

Se o governo conseguir aprovar no Congresso uma reforma com economia fiscal relevante, o economista do ING vê chance de o rolar testar valores perto de R$ 3,30/R$ 3,40. O cenário de Rangel é que a reforma deve ter o aval final da Câmara em setembro e no Senado em novembro.

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