Dólar comercial bate em R$ 2,00 e Bolsa cai mais de 5%

Dow Jones cai 2,79% e a Nasdaq recua 3,27%. Além das incertezas com pacote, risco de recessão ficou maior

02 Outubro 2008 | 12h09

A aprovação no Senado ontem à noite do plano de ajuda às instituições financeiras norte-americanos não conseguiu restaurar a confiança dos investidores. A percepção de que o pacote não vai livrar a economia dos EUA de uma recessão e do resultado da votação na Câmara, onde foi rejeitado na segunda-feira, que pode ocorrer entre hoje e amanhã, mantém os investidores pessimistas. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em queda nesta quinta-feira, 2, e às 12h10 (de Brasília), o Ibovespa cedia 5,65, aos 46.983 pontos. O dólar comercial disparou para R$ 2,0010, em alta de 4,33%.   Veja também: Entenda o pacote anticrise que passou no Senado dos EUA Crise afetará neoliberalismo, dizem analistas A cronologia da crise financeira  Entenda como a crise econômica afeta o Brasil  Senado americano aprova pacote de US$ 700 bilhões Crise muda cenário de empréstimos em bancos do País   Nos EUA, o índice Dow Jones cai 2,79% e a Nasdaq recua 3,27%. Além das incertezas com a aprovação do plano na Câmara - que já rejeitou o primeiro texto na segunda-feira, provocando fortes quedas nas bolsas -, o departamento de Trabalho dos EUA anunciou que o número de pedidos de auxílio-desemprego na semana passada cresceu em 1 mil, para 497 mil, o maior nível desde 29 de setembro de 2001.   O economista Zach Pandl disse que, mesmo se descontados os 40 mil a 60 mil pedidos que tenham sido relacionados a fatores extraordinários, como o furacão Ike, o dado é consistente com o início de uma recessão relativamente profunda. Pandl espera que o taxa de desemprego nos EUA, que será divulgada amanhã, tenha atingido 6,8% "ou até um pouco mais" em agosto, depois de ficar em 6,1% em julho. "Esperamos que o PIB irá contrair por três trimestres consecutivos, a partir do terceiro trimestre", disse ele. Com isso, o pessimismo aumentou no mercado.   Uma notícia positiva: o UBS, um dos primeiros bancos atingidos pela crise do subprime, ter afirmado que terá lucro depois de quatro trimestres no vermelho. As ações do banco subiam 0,8% no pré-mercado. As da GE recuavam 7,1%, reagindo ao anúncio da companhia de que pretende vender pelo menos US$ 12 bilhões em ações ordinárias.   Na Europa, as bolsas operam com sinal positivo, mas sem muito entusiasmo. Londres apresenta queda de 1,87%; Frankfurt cai 2,95%; Paris recua 2,19% e Milão cai 1,66% Já na Ásia, os mercados fecharam em baixa, pressionados por investidores que buscaram a relativa segurança de títulos de dívida do governo.   O fato é que, embora o pacote evite o pior - uma crise sistêmica, com quebra em massa de bancos -, isso ainda não vai evitar o enxugamento dos bancos, alertou o economista-chefe do Santander, Alexandre Schwartzman. "A gente vai passar por um período longo de muita dificuldade econômica. De fato, (o plano) só evitou o abismo, mas não evitou a recessão", afirmou.   "Confiança é a principal moeda para atrair os recursos necessários ao mercado e enquanto a confiança não for restaurada, a aversão ao risco vai continuar", afirma um operador. O receio do mercado é de que esse pacote, que ainda precisa ser aprovada na Câmara, tenha vindo tarde demais.   Mesmo com a aprovação do pacote de socorro financeiro no Congresso, diretores do Federal Reserve estudam fazer novos cortes na taxa básica de juro. Sábado, os líderes europeus devem se reunir para discutir uma saída "européia" para os efeitos da crise do subprime em seus próprios bancos.

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