Dólar comercial fecha em alta de 2,94%, cotado a R$ 2,3460

O dólar comercial subiu com força nesta quinta-feira e encerrou o dia em alta de 2,94% em relação aos últimos neócios de ontem, negociado a R$ 2,3460 na ponta de venda das operações. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ 2,3650 e a mínima de R$ 2,2840. Com o resultado de hoje, o dólar acumula baixa de 11,61% em 2005 e de 1,43% em agosto.O Banco Central realizou hoje um leilão de compra de dólares no mercado à vista, depois de estar ausente desde o dia 16 de março. Contudo, a autoridade monetária rejeitou todas as propostas feitas pelos operadores e não comprou moeda norte-americana. Mesmo assim, a intenção demonstrada pelo BC (de comprar dólares) foi um dos principais fatores a pressionar para cima a moeda norte-americana.Mas não foi o único. Antes do leilão, a moeda norte-americana já registrava alta com os investidores mostrando cautela em relação ao cenário político doméstico e ao ambiente externo, onde a alta do petróleo era a maior preocupação. Hoje, o publicitário Duda Mendonça, juntamente com sua sócia, Zilmar Fernandes, depõem à CPI dos Correios.A grande preocupação dos investidores é que, com esses depoimentos, o escândalo de corrupção atinja o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De fato, até o fechamento do mercado cambial, esta preocupação ganhou força com a declaração do publicitário de que os recursos depositados nas contas de suas empresas, tanto no Brasil como no exterior, são "claramente de caixa 2". Segundo ele, em 2002 todo recurso recebido do PT foi oficial. Mas, a partir de 2003, com as dívidas de campanha, a situação mudou, com os pagamentos sendo feitos pelo empresário Marcos Valério.Segundo o publicitário, ele recebeu R$ 10,6 milhões, depositados nas Bahamas; mais R$ 1,4 milhão, sendo 900 mil sacados do Banco Rural, em São Paulo, e duas prestações de R$ 250 mil em abril de 2003 e outros R$ 3,6 milhões pagos pelo ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, ou emissário dele, além dos R$ 3 milhões oficiais. Salário MínimoNa economia, o mercado financeiro não gostou da derrota do governo na questão do reajuste do salário mínimo. Ontem, o Senado aprovou o valor de R$ 384,29. A matéria voltará à Câmara, mas muitos avaliam que a probabilidade de os deputados endossarem essa decisão do Senado é grande. Afinal, o governo está enfraquecido e votar contra aumento de salário mínimo é sempre um risco eleitoral grande.Segundo o próprio ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, o mínimo de R$ 384,29 provocaria custo adicional de R$ 28,8 bilhões nas contas públicas do governo em 2006. A elevação do mínimo causou o cancelamento de um seminário, hoje em Brasília, onde se discutiria a proposta de déficit nominal zero, com as presenças de Palocci e Paulo Bernardo.Petróleo também preocupaNo exterior, o destaque foi o petróleo, que voltou a bater recordes de alta. O preço da commodity foi pressionado por um relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) sobre a demanda mundial e os impactos da escalada de preços na economia global.A AIE manteve praticamente inalterada a previsão para o consumo, mas afirmou que as preocupações com o limite de capacidade de produção da commodity vão continuar. Alertou também que o impacto da alta dos preços do petróleo neste ano ainda não foi repassado para a economia mundial.

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