Dólar continua em queda, mas deve parar logo

O dólar continuou em queda hoje, em parte por causa de captações de empresas no exterior, mas também pela entrada de estrangeiros em renda fixa e bolsa. Analistas comentam que a percepção do investidor externo tem sido um elemento-chave para a recuperação das cotações no mercado. Enquanto os títulos da dívida argentina seguem em forte queda, os brasileiros acumulam altas.Se essa tendência otimista se confirmar nas próximas semanas, muitos já acreditam em queda da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. O assunto será discutido na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), nos dias 20 e 21. Mas, embora não se fale no mercado em uma retomada do pessimismo, é pouco provável que a euforia continue por muito mais tempo. Especialmente porque uma valorização excessiva do real pode acabar anulando os ganhos nas contas externas, que foram um dos elementos de estímulo à recuperação dos mercados.As próximas semanas poderão confirmar os atuais patamares de negociação, mas para isso será importante que os dados da economia norte-americana demonstrem uma recessão branda com fortes chances de recuperação rápida. E um colapso da Argentina pode afetar seriamente os mercados brasileiros. A negociação para o corte no repasse de verbas federais foi confirmada pelos 10 governadores aliados ao presidente Fernando de la Rúa, mas a oposição, que controla as maiores províncias e o maior número (14) mantém o impasse. Além disso, aprovou o repasse para as províncias de parte do imposto sobre movimentação financeira, o oposto do que queria o governo. Amanhã o presidente parte para Washington e se não houver progresso, sem as garantias necessárias para negociar com credores externos e organismos financiadores.Como a Argentina precisa desesperadamente dos US$ 1,6 bilhões da parcela de dezembro do Fundo Monetário Internacional (FMI) para tapar os buracos e também não conseguirá fechar as contas do ano que vem sem reestruturar a dívida, as chances de colapso aumentam. E os depósitos bancários e reservas internacionais seguem registrando fortes quedas diárias, ameaçando o sistema financeiro. Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,5320, com queda de 1,17%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,730% ao ano, frente a 20,750% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 0,49%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em queda de 1,08%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 0,35%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 0,53%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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