Fabio Motta / Estadão
Fabio Motta / Estadão

Otimismo com Previdência faz Bolsa subir 1,6% e dólar fechar a R$ 4,02

Possibilidade de o parecer sobre a reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara ser apresentado antes de 15 de junho gerou ânimo nos investidores

Paula Dias e Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

28 de maio de 2019 | 10h08

O bom humor deu o tom aos negócios no mercado local, com a possibilidade de o parecer sobre a reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara ser apresentado antes de 15 de junho, e após o anúncio de um pacto entre os três Poderes a favor das reformas e da retomada do crescimento.

A leitura de que a mudança das regras de aposentadoria deve mesmo deslanchar no Congresso fez o dólar recuar e o Ibovespa a fechar com alta superior a 1%, acima dos 96 mil pontos, apesar do ambiente negativo no exterior, onde predominaram temores de desaceleração da economia americana.

Com a melhora do cenário político, a moeda americana à vista fechou com perda de 0,29%, a R$ 4,0235, na contramão de outras divisas emergentes. O Ibovespa operou em alta durante a maior parte da sessão, encerrando com ganho de 1,61%, aos 96.392,76 pontos, zerando as perdas do mês de maio. Em Wall Street, na volta do feriado de segunda-feira nos Estados Unidos, as Bolsas foram no sentido oposto, batendo mínimas à tarde.

Bolsa

Os principais sinais de Brasília que repercutiram positivamente nos negócios foram a busca do governo por um pacto entre os três Poderes em favor das reformas e do crescimento econômico e a iniciativa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de pedir a antecipação do relatório da reforma da Previdência.

Outro fator de grande relevância na alta do Ibovespa foi a queda das taxas de juros no mercado futuro, com apostas crescentes de corte da taxa Selic este ano, em virtude do ritmo fraco da economia. As quedas das taxas futuras colocaram em evidência a alta das ações dos setores financeiro e de varejo. A lógica na compra desses papéis é simples: juros menores, maior demanda por crédito e aumento do consumo interno.

Entre os papéis financeiros, destaque para Itaú Unibanco PN (+2,81%), Bradesco PN (+2,76%) e B3 ON (+2,97%). Entre as varejistas, as que se sobressaíram foram B2W ON (+6,57%), Magazine Luiza PN (+6,18%), Lojas Renner ON (+3,58%) e Via Varejo ON (+3,52%). 

O analista Vitor Miziara, da Criteria Investimentos, afirma que a Bolsa vinha operando com desempenho fraco pela manhã, refletindo perspectivas mais pessimistas do mercado, com algumas revisões para o Ibovespa no final do ano. "A alta ganhou força depois da notícia de que Rodrigo Maia pediria ao relator da reforma que antecipasse seu parecer. Até então, o mercado não deu tanta importância ao pacto que o governo tenta alinhar", afirmou.

Na avaliação de Miziara, na ausência de balanços financeiros, o mercado deve concentrar as atenções no noticiário em torno da reforma, único ponto capaz de trazer impulso novo à bolsa neste momento.

Com o resultado desta terça-feira, o Ibovespa zerou as perdas de maio, passando a contabilizar ganho de 0,04%. No dia 17, quando o índice chegou à sua menor pontuação do ano (89.992,73 pontos), a perda acumulada no mês era de 6,60%. Mantido o viés positivo até quinta-feira, o Ibovespa terá seu primeiro resultado positivo em maio nos últimos dez anos.

Dólar

A moeda americana subiu ante divisas fortes, como o euro e a libra, por conta de estresse no mercado internacional com a situação fiscal da Itália, e moedas como o peso mexicano e o rublo da Rússia, mas caiu perante o real. Operadores ressaltam que a entrada de um fluxo de dólares de exportadores também contribuiu para reforçar a valorização do real.

"O entendimento, a harmonia é positiva entre Poderes, mas o mais importante é as coisas começarem a andar", afirma o economista-chefe do Itaú Unibanco, Mario Mesquita, ex-diretor do Banco Central (BC). Se esse pacto for acompanhado de aprovação da Previdência, ele ressalta que pode ter efeito positivo no Produto Interno Bruto (PIB). O Itaú prevê aprovação da reforma no segundo semestre, com economia fiscal entre 50% e 75% do texto original (R$ 1,2 trilhão).

"No câmbio, nossos modelos apontam para potencial de apreciação do real em relação ao que tem sido observado atualmente", disse Mesquita. Ele prevê o dólar em R$ 3,80 ao final do ano. O economista ressalta que as contas externas brasileiras estão sólidas e com melhora na margem. Além disso, as empresas estão reduzindo dívidas em dólar. "O lado frágil é o fiscal."

A analista de moedas emergentes do banco alemão Commerzbank, You Na Park-Heger, afirma que permanece "cautelosamente otimista" com as chances de aprovação da Previdência, apesar dos recentes ruídos políticos entre o Planalto e o Congresso. Ela vê chance de o dólar testar níveis de R$ 3,60 no final do ano, se o governo conseguir aprovar medidas previdenciárias com impacto fiscal ao redor de 60% do previsto no texto original. "A avaliação de que a reforma é necessária para colocar a economia brasileira de volta aos trilhos deve ser a dominante entre a classe política."

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