Dólar 'descola' das bolsas e sobe pelo 3o dia seguido

O dólar destoou do bom humor nasbolsas de valores e fechou em alta pelo terceiro dia seguidonesta segunda-feira, influenciado pela reversão dasexpectativas no mercado futuro de câmbio. A moeda norte-americana subiu 0,81 por cento, para 1,747real. No mês, a alta do dólar já é de 3,25 por cento. O mercado voltou mais aliviado da Páscoa, com alta de maisde 1 por cento das bolsas em Wall Street. O ânimo, garantidopelo aumento da proposta do JPMorgan pelo Bear Stearns, foireforçado pela surpresa positiva em dados sobre a venda decasas usadas nos Estados Unidos. O entusiasmo das bolsas chegou a influenciar o dólar, quecomeçou o dia em queda. A cautela após os acontecimentosrecentes, no entanto, virou a cotação. "O mercado está vindo muito perdido. Ficou comprado (emdólares) e, a princípio, está sustentando isso", disseFrancisco Carvalho, gerente de câmbio da corretora Liquidez. Desde o agravamento da crise global de crédito, osestrangeiros abandonaram as apostas na queda do dólar eacumularam quase 4 bilhões de dólares em posições compradas namoeda norte-americana no mercado futuro. A inversão, que tambémcoincidiu com as medidas do governo para conter a alta do real,diminuiu a pressão pela queda do dólar. Alguns agentes de mercado também citaram um possível fluxonegativo como justificativa para a alta do real. Nos últimosdias, o país assistiu à retirada de recursos do mercado local--o saldo positivo do fluxo no mês caiu de quase 10 bilhões dedólares até o dia 14 para 8,1 bilhões até o dia 19. "Teve uma saída pequena (de dólares do país). Talvez pelomercado estar (com um giro) menor, qualquer volume movimenta umpouco mais a cotação", afirmou o gerente de câmbio de um bancoestrangeiro, que preferiu não ser identificado. Com problemas de sistema, o Banco Central não realizounesta sessão o leilão de compra de dólares no mercado à vista. (Edição de Vanessa Stelzer)

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