Dólar despenca com acordo argentino

O dia nos mercados financeiros foi tranqüilo, o otimismo dos investidores prosseguia, mas mais comedido que nos últimos dias. Mas o anúncio de que o acordo para a redução dos repasses de verbas para as províncias em troca de renegociação das suas dívidas pelo governo federal animou os investidores. O dólar despencou novamente, fechando a R$ 2, 5620. A moeda norte-americana, desde 25 de outubro, já caiu 7,21%. A recuperação das últimas semanas já alimenta especulações de queda ainda em 2001 da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia.Não é a primeira vez que o acordo é anunciado, mas a notícia, se confirmada, abre espaço para que o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Tesouro norte-americano apóiem o país. O presidente Fernando de la Rúa viaja para os Estados Unidos na sexta-feira para negociar a liberação de US$ 1,6 bilhões da parcela de dezembro prometida pelo Fundo. A principal pré-condição para a operação era o acordo com os governadores e os recursos são indispensáveis para que o país não decrete o calote até o final do ano.De la Rúa também tentará convencer os credores a aderir ao programa de troca de títulos da dívida argentina, que pode chegar a US$ 36 bilhões, prevista para ocorrer em três a quatro meses. Haverá queda de juros em troca de garantias adicionais de pagamento, o que o mercado vê como calote seletivo, ou negociado. As agências internacionais de classificação de risco rebaixaram os ratings (nota que reflete a solvência e a credibilidade) do país em função da reestruturação da dívida, que trará perdas aos investidores. Novos rebaixamentos podem estar a caminho, mas, de qualquer forma, a Argentina já está nos níveis mais baixos da escala.A operação de troca da dívida com credores internos terá como teto US$ 24 bilhões, e tem apresentado boa adesão pelos credores locais, também por conta de um artifício contábil criado pelo governo que penaliza os resultados nos balanços das instituições que recusarem a operação. A principal motivação, porém, continua sendo a inevitabilidade. Não há opções viáveis, e é exatamente por isso que os investidores aceitam as perdas.É sempre bom lembrar que a reestruturação atingirá parte da dívida de cerca de US$ 132 bilhões, e que, ainda que tenha sucesso, não está sendo abordado o principal problema do país, que é o câmbio fixo sobrevalorizado. A economia continua em declínio, já há mais de três anos, e não se espera uma recuperação em função desse calote ou das demais medidas anunciadas na semana passada. Novamente, a Argentina empurra a crise com a barriga. Mesmo se tudo der certo, ainda serão necessários cortes vigorosos nos orçamentos do governo, estabilização dos depósitos bancários e reservas internacionais e a recuperação da confiança de consumidores e investidores.Para o Brasil, também é preciso observar o otimismo atual com cautela. Os mercados vêm se recuperando de patamares extremamente pessimistas. Basta dizer que as atuais cotações ainda estão muito próximas dos níveis praticados imediatamente antes de 11 de setembro. E é cedo para definir que a tendência continuará, já que ainda há muitas incertezas quanto à retomada do crescimento da economia dos EUA e muitos pontos de instabilidade na Argentina. Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,5620, com queda de 1,84%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 20,750% ao ano, frente a 21,400% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 1,61%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 4,79%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 0,38%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 0,26%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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