Dólar despenca enquanto Argentina afunda

Os mercados brasileiros tiveram um dia de euforia, com forte queda do dólar e disparada na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) - veja os números abaixo. As previsões em relação aos juros seguem conservadoras, mas, de maneira geral, surge um consenso no mercado de que a crise argentina já está considerada nos preços dos ativos e o Brasil reage bem às dificuldades. A economia está se recuperando, as contas do governo estão superando as metas e as contas externas estão apresentando resultados positivos rapidamente em função das recentes altas do dólar.O curioso da situação é que a crise argentina só vem se agravando, e nunca esteve tão próxima da ruptura. No pacote anunciado na quinta-feira, o governo elencou uma série de intenções, além de algumas medidas tímidas de reativação do consumo e amparo social. O mercado não deu muita importância às ações concretas e desconfiou das promessas de negociação com os governadores e reestruturação da dívida.O acordo com as províncias ainda não saiu, mas pode ser fechado hoje à noite, o que estimulou uma recuperação dos mercados argentinos, depois do pessimismo da sexta-feira. Os governadores fazem ameaças à União para não perderem repasses de verbas, e o impasse continua. Sem uma definição que melhore a situação das contas do governo central e garanta o endosso das províncias ao déficit zero, fica difícil convencer organismos internacionais e credores a apoiar a reestruturação da dívida.O presidente Fernando de la Rúa e o ministro da Economia, Domingo Cavallo, insistiam que a troca de títulos seria amigável, voluntária e integral. Mas aos investidores, ela parece ser a única opção, portanto, um calote negociado. O governo quer reduzir os juros dos papéis para 7% ao ano, oferecendo garantias adicionais. A negociação ainda deve demorar, a meta estabelecida para a operação é março. Enquanto isso, a União tem vencimentos de cerca de US$ 5,4 bilhões até o final do ano. Sem adiantamento da parcela de dezembro do Fundo Monetário Internacional (FMI), é difícil prever alguma alternativa ao calote. Conforme a situação se agrava, os depósitos bancários e reservas internacionais despencam, revelando que os argentinos estão sacando dinheiro dos bancos e guardando dólares debaixo do colchão. Em breve, se o movimento não for interrompido, o sistema financeiro chegará ao seu limite.Fechamento dos mercadosO dólar comercial para venda fechou em R$ 2,6020, com queda de 2,73%. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 22,030% ao ano, frente a 23,170% ao ano ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em alta de 6,82%.O índice Merval da Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou em alta de 3,69%. Nos Estados Unidos, o Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em alta de 1,26%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em alta de 2,74%. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

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