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Com 'risco Trump', dólar tem maior alta desde 2008 e BC decide agir

Moeda foi a R$ 3,36, também com saída de investidores estrangeiros do País e preocupações com o futuro de Temer; Bolsa fechou em queda de 3,25%

Lucas Hirata, Paula Dias, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2016 | 13h08
Atualizado 10 Novembro 2016 | 23h16

O dólar disparou nesta quinta-feira, 10, com a onda de aversão ao risco por conta da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos e pela ausência de atuação do Banco Central brasileiro no mercado de câmbio. Depois de atingir a cotação de R$ 3,38 ao longo do dia, a moeda reduziu parte da alta, mas ainda registrou a maior valorização desde 22 de outubro de 2008 no fechamento: alta de 4,29%, cotada a R$ 3,3615. Já a Bovespa fechou em queda de 3,25%, aos 61.200 pontos. Pesavam ainda fluxos de saída de dólares e preocupações sobre o futuro político do presidente Michel Temer.

O dólar já abriu em forte alta esta sessão após o BC anunciar, no noite passada, que interrompeu a oferta de leilões quase diários de swaps cambiais reversos, equivalentes à compra futura de dólares, para avaliar condições de mercado após a inesperada vitória de Trump. Depois do encerramento das negociações, porém, anunciou a retomada da oferta de contratos de swap cambial tradicional a partir desta sexta-feira, 11. Em outras palavras, a casa deixou de comprar dólares no mercado futuro na quarta e passará a vender a moeda no mesmo mercado futuro nesta sexta.

Temer e Trump. Contribuía também para a disparada do dólar a notícia de que a defesa da ex-presidente Dilma Rousseff entregou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) documentos que apontam que uma doação de R$ 1 milhão feita à campanha eleitoral de 2014, pela empreiteira Andrade Gutierrez, foi direcionada à campanha do então vice-presidente Michel Temer, companheiro de chapa da petista na eleição daquele ano.

No exterior, os investidores ainda pressionavam as moedas emergentes, como o peso mexicano e o rand sul-africano, após a vitória de Trump à Presidência dos Estados Unidos. Apesar de ter adotado um tom mais conciliador em seu discurso, o republicano continuava gerando cautela nos mercados.

Durante os negócios, pesou a leitura de que o Federal Reserve poderá elevar juros de forma mais rápida que o esperado a partir de 2017, por causa da política expansionista de Donald Trump nos Estados Unidos. O presidente eleito tem reforçado, sem muitos detalhes, que seu governo se concentrará em gastos em infraestrutura e melhora do mercado de trabalho, o que pode incidir numa inflação mais elevada. Esse movimento poderá levar o Fed a acentuar o aperto monetário, o que já impulsionou o juro da T-note de 10 anos a 2,11%. 

Além disso, uma proposta expansionista de Trump poderia elevar o déficit público nos EUA e provavelmente aumentaria a pressão sobre os rendimentos na renda fixa, uma vez que os investidores exigem mais compensação por empréstimos a um país com maiores necessidades de financiamento.

Mercado de ações. Com a pressão no mercado de câmbio, as ordens de venda se concentraram principalmente nas ações do setor financeiro e nos papéis da Petrobrás. No caso dos bancos, pesou o resultado trimestral do Bradesco, cujo lucro caiu 21,5% na comparação anual e foi considerado fraco. Bradesco ON e PN terminaram o dia com quedas de 6,25% e 8,92%, respectivamente. Banco do Brasil ON não ficou muito atrás e teve perda de 6,41%.

O grande contraponto ficou novamente com as ações da Vale e das siderúrgicas. Com altas bastante expressivas, esses papéis evitaram uma queda mais forte na Bolsa brasileira. As empresas surfam no bom desempenho das commodities metálicas. Hoje, o minério de ferro subiu mais 4,5%, depois dos 4,7% da véspera. Vale ON subiu 7,48% e Vale PNA, 8,21%. CSN ON avançou 3,78%. /COM REUTERS

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