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Após acionar 'circuit breaker', Bolsa fecha com queda superior a 10%; dólar fica em R$ 5,19

Moeda chegou a alcançar a marca dos R$ 5,25 ao longo do dia; negociações na B3 precisaram ser suspensas nesta quarta após índice cair mais de 10%

Redação, O Estado de S.Paulo

18 de março de 2020 | 09h14
Atualizado 26 de março de 2020 | 17h46

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, terminou esta quarta-feira, 18, com queda de 10,35%, aos 66.894,95 pontos. No começo da tarde, o índice despencou e o sexto 'circuit breaker' do mês precisou ser acionado, forçando a interrupção das negociações. Após a pausa, o Ibovespa foi reaberto com queda de 10,56%, aos 66.736,61 pontos. Já dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,1960, uma alta de 3,74%. 

 Na abertura do mercado brasileiro nesta quarta-feira, 18, o dólar iniciou a cotação em R$ 5,16, um avanço superior a 3% em relação ao fechamento do dia anterior, estabelecendo novo recorde nominal - quando descontada a inflação. Ao longo do dia, o valor disparou ainda mais e ele chegou a bater na casa dos R$ 5,2575. Já o dólar para abril fechou em alta de 1,92%, cotado a  R$ 5,1075.

Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, às 12h23, o dólar turismo chegou a ser negociado a R$ 5,40, variando entre R$ 5,30 e R$ 5,40. No mesmo horário, a máxima do dólar turismo era de R$ 5,33. Até agora, o dólar já possui uma valorização superior a 20% neste ano de 2020.

A moeda americana têm se valorizado fortemente frente ao real nas últimas semanas. Na quinta-feira passada, dia 12, ela ultrapassou pela primeira vez a marca de R$ 5, e, na segunda-feira, 16, fechou, de maneira inédita, acima dos R$ 5 - e desde então tem sustentado esse novo patamar. Este novo cenário de desvalorização da moeda brasileira segue a instabilidade dos mercados internacionais por conta da disseminação do novo coronavírus, causador da Covid-19

Em meio à escalada do dólar, o Banco Central chamou o terceiro leilão de dólares à vista de hoje, e vendeu US$ 30 milhões. Ele também vendeu mais US$ 6 bilhões de recursos novos em leilões de linha com recompra, incluindo US$ 2 bilhões negociados na manhã desta quarta-feira. Ao todo, o BC já injetou US$ 20,075 bilhões no mercado de câmbio apenas em março.

'Circuit breaker'

O Ibovespa abriu as negociações do dia com forte queda, superior a 8%, perdendo o patamar de 70 mil pontos. Ao longo da manhã, o índice reduziu o ritmo de perdas, estabilizando a queda em 6%. Porém, no início da tarde, a queda voltou a se intensificar. Às 12h21, o Ibovespa caia 9,11%, aos 67.816,95 pontos. Até que por volta das 13h20, atingiu 10,26% de recuo, marcando 66.961,15 pontos e forçando o acionamento do 'circuit breaker'.

No momento da paralisação das negociações, a Petrobrás ON cedia 14,60% e Petrobrás PN, 13%. A mineradora Vale recuava 8,46%. As empresas aéreas Azul PN e Gol PN tinham recuo de 32,63% e 20,44%, respectivamente. 

A situação tem se repetido bastante na Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, com o Ibovespa, principal índice do mercado nacional. Para se ter uma ideia, o sistema de "circuit breaker", que paralisa as negociações no mercado, já foi utilizado, apenas neste mês, cinco vezes. 

Na semana passada, foram quatro momentos de pausa. Uma na segunda-feira, 9, uma vez na quarta-feira, 11, e duas na quinta-feira, 12. Terça-feira, 10, e sexta-feira, 13, foram dias de recuperação nos mercados mundiais. A última que o sistema foi acionado foi na segunda-feira, 16, quando as negociações sofreram uma pausa de 30 minutos após perdas de 12,53%. Neste mês, a Bolsa de Valores já se desvalorizou 35,72% e, no ano, 42,10%.

Contexto local

Em meio ao caos mercado, o Banco Central anunciou às 18h desta quarta, 18, a redução da Selic - a taxa básica de juros da economia -, para 3,75% ponto percentual, um corte de 0,5% ponto.  Antes, o valor da taxa era de 4,25% ponto. Este foi o sexto corte consecutivo da taxa no atual ciclo, após um período de 16 meses de estabilidade. Com isso, a Selic está agora em um novo piso da série histórica do Copom, iniciada em junho de 1996.

Um pouco antes, vários ministros e o presidente Jair Bolsonaro encerraram por volta das 16:30h a entrevista coletiva sobre as ações contra a epidemia, todos usando máscaras. O ministro da Economia, Paulo Guedes, esclareceu que não haverá necessidade de o governo contingenciar recursos na ordem de R$ 37 bilhões. Ele voltou a explicar que, em função do reconhecimento do estado de calamidade pública, a meta do resultado primário fica suspensa, dispensando o contingenciamento. Já o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que o governo tem conhecimento de que medidas de maior restrição podem ser necessárias para conter a epidemia.

A expectativa fica agora em como o mercado brasileiro vai reagir amanhã cedo ao corte da Selic e também às medidas anunciadas por Paulo Guedes no fim da noite, como a possibilidade das empresas cortarem salários e diminuir a jornada de funionários pela metade, para evitar as demissões em massa ou o auxílio de R$ 200 que o governo pode dar a trabalhadores informais

Contexto mundial

Por conta da pandemia que assola o mundo inteiro neste ano, as Bolsas de Ásia, Europa e Américas têm sofrido com efeito "sobe e desce", ou seja, enquanto em um dia cai de maneira abrupta, no outro, recupera-se do tombo. Nesta quarta, Europa e Ásia têm queda generalizada.

Já as bolsas de Nova York fecharam com quedas consideráveis, após também precisarem acionar o circuit breaker, quando o índice S&P 500 atingiu queda de 7%. Houve redução de perdas mais para o fim do pregão, mas isso não impediu os índices de fecharem em baixa. O Dow Jones teve queda de 6,30%, em 19,898,92 pontos, perdendo novamente os 20 mil pontos, o S&P 500 recuou 5,18%, a 2.398,10 pontos, e o Nasdaq cedeu 5,18%, a 2.398,10 pontos.

O pânico dos mercados em torno da pandemia do novo oronavírus também levou as cotações de petróleo a mais um dia de tombo. Em Nova York, o petróleo do tipo WTI para maio fechou em queda de US$ 6,50, a US$ 20,98 o barril, menor valor desde abril de 1999. Já em Londres, o petróleo tipo Brent caiu US$ 3,91, a US$ 24,88 o barril, cotação mais baixa desde janeiro de 2002, de acordo com dados do Estadão/Broadcast./ SILVANA ROCHA, EDUARDO RODRIGUES, EDUARDO GAYER, ALTAMIRO SILVA JÚNIOR, ANDRE VIEIRA, DENISE ABARCA, GABRIEL LUNA, IANDER PORCELLA, FELIPE SIQUEIRA E MAIARA SANTIAGO.

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