Dólar dispara e BC oferece R$ 2 bi em cambiais

Num dia tenso, dominado por preocupações com a Argentina e com o escândalo no Senado, os operadores lembraram das crises cambiais do início de 1999. O dólar disparou, chegando à marca de R$ 2,2700, a mais alta desde a criação do real. As cotações começaram a subir desde a abertura dos negócios, só parando com o leilão de títulos cambiais promovido pelo Banco Central no final da tarde, quando foram oferecidos 2 milhões de NBC-E, equivalentes a cerca de R$ 2 bilhões. Para se ter uma idéia de quanto esse montante representa, as reservas brasileiras em moeda estrangeira somavam, no início do dia, US$ 34,8 bilhões. No fechamento, o dólar comercial para venda ficou em R$ 2,2350, alta de 1,82%.Os demais mercados acompanharam o pessimismo. Os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - fecharam o dia pagando juros de 23,000% ao ano, frente a 21,550% ao ano ontem, depois de atingir a máxima de 23,100% ao ano. Essa cotação é a mais alta desde 21 de março deste ano, quando começou a tendência de alta da Selic, a taxa básica referencial de juros da economia. Atualmente a Selic está em 16,25%, patamar muito menor que as taxas negociadas no mercado.E a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 5,09%. A tensão foi grande também nos mercados argentinos. O índice Merval da Bolsa de Buenos Aires também despencou, fechando em queda de 6,27%. Os mercados norte-americanos colaboraram com a tensão no Cone Sul, operando em baixa. O Dow Jones - Índice que mede a variação das ações mais negociadas na Bolsa de Nova York - fechou em queda de 1,07%, e a Nasdaq - bolsa que negocia ações de empresas de alta tecnologia e informática em Nova York - fechou em queda de 0,86%. Argentina assusta investidoresOs mercados estão cada vez mais tensos com a situação econômica da Argentina. As preocupações hoje cresceram com os desentendimentos entre o ministro da Economia, Domingo Cavallo, e o presidente do Banco Central, Pedro Pou. O país enfrenta 33 meses de recessão e não consegue cumprir as metas para as contas públicas firmadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O diagnóstico é claro para os analistas: o peso está sobrevalorizado, compromentendo a competitividade dos produtos argentinos, o que limita as possibilidades de recuperação econômica.Mas uma desvalorização enfrenta obstáculos legais e teria impacto tão grave quanto um calote da dívida - a outra opção disponível. O problema é que grande parte das dívidas do governo e das empresas está denominada em dólares, e se a paridade da moeda argentina com a norte-americana acabar, os efeitos serão desastrosos. O mercado não fala em outro assunto: o que o governo fará na próxima vez que precisar captar recursos para cobrir o buraco nas contas públicas, possivelmente em junho. Com a credibilidade tão baixa, as opções estão se reduzindo à moratória ou à desvalorização, se não as duas combinadas. Crise no Senado também preocupaOs últimos lances da crise no Senado também colaboram para o desespero dos investidores. A possível cassação do Senador Antônio Carlos Magalhães e do Senador José Arruda, ex-líder do governo no Senado, preocupam, não só pela instabilidade causada no Congresso, como pela possibilidade de envolvimento do governo federal. A possível instauração de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo federal agrava o quadro. Isso sem esquecer que o próprio presidente do Senado, Senador Jader Barbalho, enfrenta acusações de envolvimento em desvio de verbas da Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Vale lembrar que esses nomes ocupam alguns dos mais altos cargos do governo e são as principais lideranças da base aliada no Congresso. A semana acaba com muitas questões preocupantes em aberto, sem possibilidade de solução no curto prazo. A tensão, portanto, deve continuar na semana que vem, conforme o mercado for acompanhando de perto o noticiário da Argentina e do Planalto.Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

20 de abril de 2001 | 18h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.