Dólar dispara; governo volta atrás em medidas

A cotação do dólar flutuante disparou nesta terça-feira e fechou a 1,95 peso, 11,4% acima do valor registrado no fechamento de segunda-feira (1,75). A moeda norte-americana chegou, nesta terça-feira na city portenha, a atingir a cotação de 2,05 pesos para venda.Segundo fontes do mercado, o aumento se deveu à utilização de cheques das contas correntes em pesos para a compra de dólares. Este procedimento estava proibido durante os anos de conversibilidade, mas voltou a ser permitido com a desvalorização.Além disso, o menor movimento de troca de dólares por pesos ajudou a cotação a subir. Grandes casas de câmbio do centro de Buenos Aires tiveram de parar de vender dólares por não contarem mais com notas da moeda norte-americana.No fim da tarde desta terça-feira, meia hora antes do fechamento do mercado, quando a cotação chegava a 2 pesos, o Banco Central teria oferecido dólares aos bancos para fazer o preço cair.Segundo fontes do setor bancário, o BC ofereceu lotes de US$ 500 mil em espécie a 1,70 peso. A avaliação de alguns operadores é que o BC está tentando manter uma cotação ?fictícia?.?Só vai conseguir uma queda momentânea e só vai perder reservas com isso?, disse um gerente de banco.O Banco Central não confirmou a operação. Horas depois de o dólar começar a disparar, o governo argentino voltou atrás na decisão de adotar o câmbio flutuante para pagamento das dívidas que ficaram fora dos limites estabelecidos para a pesificação por 1 a 1.Os cálculos tinham sido feitos levando em conta um dólar de aproximadamente 1,50 peso. Com a disparada da cotação, a situação dos devedores ficaria insustentável, porque os saldos dos empréstimos teriam praticamente dobrado em pesos. A cotação usada agora será a oficial, de 1,40 peso.A prorrogação do prazo e a redução dos juros foi mantida. O Banco Central tinha determinado no fim da noite desta segunda-feira que os empréstimos hipotecários de mais de US$ 100 mil seriam convertidos para pesos pelo dólar flutuante, com um aumento de prazo de até 30% para pagar e uma redução da taxa de juros de um terço.O mesmo procedimento seria usado para os créditos de mais de US$ 30 mil para reforma de casas, de mais de US$ 15 mil para a compra de carros e de mais de US$ 10 mil para empréstimos pessoais.Leia o especial

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