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Dólar fecha a R$ 5,84, um novo recorde para um fechamento; Bolsa encerra aos 78 mil pontos

Corte da taxa Selic influenciou negativamente o mercado nesta quinta e contribuiu para uma nova escalada da moeda americana, que bateu em R$ 5,87 na máxima do dia

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de maio de 2020 | 09h03
Atualizado 07 de maio de 2020 | 18h29

dólar renovou as máximas nesta quinta-feira, 7, e fechou com alta de 2,43% a R$ 5,84, um novo recorde nominal, quando não se considera a inflação, para um fechamento. Mais cedo, a moeda ainda quebrou outro recorde para um cotação ao bater em R$ 5,87. Já a Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, encerrou o pregão com um recuo de 1,20%, aos 78.118,57 pontos. Desestabilizou o mercado brasileiro hoje, o corte para 3% da Selic, taxa básica de juros da economia, pelo Banco Central.

A moeda americana já abriu as negociações desta quinta com alta de 1,5%, a R$ 5,79. No entanto, ainda no final da manhã, ela sofreu nova escalada de preços e rapidamente atingiu o patamar dos R$ 5,87, uma apreciação de 2,5% comparado aos R$ 5,70 da última quarta-feira 6, quando o dólar bateu recorde para um fechamento. No final da tarde, ele recuou levemente, mas continuou no patamar de R$ 5,80. Nesse cenário, o dólar para junho fechou com alta de 2,04%, a R$ 5,84 - mesmo valor da moeda à vista.

A desvalorização do real frente à moeda americana se intensificou em março, com o início da crise do novo coronavírus no País. Nesse mês, o dólar - e também o euro -, romperam pela primeira vez a barreira de R$ 5Como consequência, a moeda dos EUA já tem uma valorização de 45% em 2020 e de 7,4% em abril, frente à moeda brasileira. Para tentar conter a alta da moeda, o BC chegou a vender US$ 1 bilhão em swaps cambiais - que equivale a venda no mercado futuro -, mas a medida não surtiu efeito. 

Porém, apesar da instabilidade da dólar, o Ibovespa, principal índice do mercado de ações brasileiro, teve um dia praticamente estável, oscilando entre os 78 mil pontos e 79 mil pontos. Pela manhã, a B3 abriu o pregão com alta superior a 1%, mantendo os 79 mil pontos do pregão da última quarta. Pouco tempo após o início das negociações - e em sintonia com a escalada do dólar -, a Bolsa apresentou leve recuo de 0,37%, aos 78.754,96 pontos. Na mínima do dia, ao meio-dia, o índice cedia aos 78.057,74 pontos. Se beneficiaram na Bolsa, Vale e Petrobrás, que fecharam a sessão, respectivamente, em alta de 4,56% e de 3,12%.

Influenciou o mercado nesta quinta, o novo corte de 0,75 ponto da Selic, que foi a 3% ao ano (antes, a taxa era de 3,75%), no menor valor da série histórica. A redução afeta principalmente a moeda americana, pois torna o País menos atraente para o investidor estrangeiro e promove a fuga do dólar - o que pressiona o valor e acelera o movimento de apreciação frente o real.

Porém, apesar do corte mais baixo que o esperado, o mercado já projeta uma nova redução para junho. Essa perspectiva deve achatar ainda mais o diferencial de juro interno e externo, afastando o investidor estrangeiro do Brasil. Contudo, apesar do 'efeito Selic', ainda pesam no mercado local o cenário político e a crise causada pelo coronavírus.

Contexto local

O dia começou com a aprovação pelo Senado na última quarta-feira, 6, da ajuda aos Estados, após semanas de idas e vindas entre a Casa, a Câmara e o governo. No entanto, um ponto polêmico do texto, foi a permissão de que servidores de categorias ligadas a saúde, educação e segurança escapassem da 'regra' do congelamento de salários, que era um dos pedidos do ministro da Economia, Paulo Guedes, para a realização do projeto. Nesta quinta, Bolsonaro avisou que pretende revogar essa parte do textodepois de ter apoiado a votação da ideia.

Ainda nesta quinta, causou certo 'alvoroço', a ida de Bolsonaro, acompanhado de um grupo de empresários de diferentes setores, ao Supremo Tribunal Federal, para uma conversa com o presidente do órgão, o ministro Dias Toffoli. No encontro, que foi transmitido pelas redes sociais, ele pediu por mais apoio no 'cabo de guerra' entre Estados e municípios, contra as medidas de restrição contra o coronavírus.

Também chamou a atenção do investidor, a queda de 20,1% do lucro do Banco do Brasil no 1º trimestre de 2020, que foi a R$ 3,395 bilhões. O resultado já mostra os primeiros sinais do vírus dentro do banco estatal, que registrou queda de 1,89% na B3. Ainda nesse cenário, a poupança teve captação líquida recorde em abril, de R$ 30,5 bilhões, segundo dados do Banco Central (BC) - ou seja, aconteceram mais depósitos do que saques. O aumento pode ser justificado pela diminuição do consumo e pela busca das famílias em tentar se preparar para o cenário pós-coronavírus.

Cenário internacional

O investidor começou a quinta com a informação da Administração Geral de Alfândegas da China, de que as exportações no país asiático subiram 3,5% em abril, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. A notícia surpreendendo os analistas consultados pelo jornal The Wall Street Journal, que esperavam contração de 18,8%.

Enquanto isso, no Reino Unido o mercado reagiu positivamente à declaração do presidente do Banco da Inglaterra (BoE, na sigla em inglês), Andrew Bailey, de que a autoridade monetária pretende expandir o programa de relaxamento quantitativo (QE, na sigla em inglês) em junho.

Já nos Estados Unidos, os pedidos de seguro desemprego somaram 3,169 milhões na semana encerrada em 2 de maio, segundo dados divulgados nesta quinta pelo Departamento de Trabalho. O número representa uma queda de 677 mil, mas ainda preocupa, pelo fato de estar na casa dos milhões.

Petróleo

O dia foi negativo para a commodity, que foi influenciada pelo desemprego nos EUA e também queda na demanda e aumento da oferta dos barris de petróleo. Nesta quinta, o Iraque, informou que talvez não vá conseguir cumprir sua parte no acordo firmado com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+), de cortar sua produção em 1,1 milhão de barris por dia (bpd).

O petróleo WTI para julho, referência no mercado americano, fechou em queda de 3,08%, a US$ 24,83 o barril. Já no contrato do WTI para junho, houve baixa de 1,83%, a US$ 23,55 o barril. Já o Brent para julho, referência no mercado europeu, registrou menor queda, de 0,87%, a US$ 29,46 o barril.

Bolsas do exterior

As Bolsas da Ásia fecharam sem sentido único nesta quinta. Na China continental, as perdas foram modestas: o índice Xangai Composto caiu 0,23% e o menos abrangente Shenzhen Composto recuou 0,12%. O Hang Seng se desvalorizou 0,65% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi teve baixa marginal de 0,01% em Seul, mas o Nikkei subiu 0,28% em Tóquio, ao voltar de três dias de feriados no Japão, e o Taiex avançou 0,63% em Taiwan, a 10.842,92 pontos. Na Oceania, a Bolsa australiana seguiu o viés negativo da região asiática, e o S&P/ASX 200 caiu 0,38% em Sydney.

Já na Europa, o dia foi de ganhos. O índice Stoxx 600 encerrou em alta de 1,09% e o índice FTSE 100 avançou 1,40% em Londres. Em Frankfurt, o DAX ganhou 1,44% e em Paris, o índice CAC 40 subiu 1,54%. Já na Bolsa de Madri, o Ibex 35 subiu 0,89%. Em Milão, o FTSE MIB teve alta de 0,50%, a 17.245,04 pontos. Já em Lisboa, o PSI 20 ganhou 4.220,85 pontos.

O dia também foi positivo para as Bolsas de Nova York. O índice Dow Jones fechou em alta de 0,89%, o S&P 500 teve ganho de 1,15% e o Nasdaq avançou 1,41% - ajudou o índice, a alta das ações da Apple, Microsoft, Alphabet e Facebook. O mercado americano também reagiu positivamente a abertura de alguns dos Estados do país e também pela melhora da economia chinesa./ SERGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, ANDRÉ MARINHO, GABRIEL BUENO DA COSTA, MARCELA GUIMARÃES E MAIARA SANTIAGO

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