Werther Santana/Estadão
Werther Santana/Estadão

Bolsa fecha com leve ganho e apaga perdas registradas pela manhã; dólar fica a R$ 5,48

Ativos se recuperaram perto do final do pregão, apoiados em um acordo entre republicanos e democratas para resolver impasse sobre a extensão do teto da dívida dos EUA; na máxima, moeda bateu em R$ 5,53

Redação, O Estado de S.Paulo

06 de outubro de 2021 | 13h15
Atualizado 06 de outubro de 2021 | 18h36

Apesar do clima tenso do começo do pregão, com a Bolsa brasileira (B3) caindo no patamar dos 2%, e o dólar tocando em R$ 5,53 na máxima do dia, os ativos conseguiram se estabilizar na reta final dos negócios desta quarta-feira, 6, apoiados no fim do impasse sobre o teto da dívida dos Estados Unidos. Hoje, o Ibovespa fechou com ganho marginal de 0,09%, aos 110.559,57 pontos, enquanto a moeda americana devolveu os ganhos e fechou com variação positiva de 0,02%, cotada a R$ 5,4861.

Em um dia especialmente negativo, tanto aqui quanto no exterior, trouxe alívio o passo adiante do líder da minoria republicana no Senado, Mitch McConnell, para resolver o impasse sobre o teto da dívida dos EUA. Com a justificativa de proteger os cidadãos americanos e a economia do país, o senador permitiu que os democratas usem seus 50 votos no Senado e aprovem, legalmente, a extensão do limite da dívida.

Amparada no fim desse impasse, a Bolsa de Nova York conseguiu encontrar força para fechar no positivo: Dow Jones, S&P 500 e Nasdaq subiram 0,30%, 0,41% e 0,47% cada. Por aqui, o Ibovespa, no pior momento do dia, caía aos 108.179,76 pontos, menor nível para um dia desde 20 de setembro. Na semana, o índice cede agora 2,07%, com baixa de 0,38% neste começo de mês - em 2021, a retração está em 7,11%.

No entanto, o cenário ainda é de incertezas. Nos EUA, por exemplo, o mercado se pergunta se o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) está mais perto de iniciar o programa de redução de compra de ativos, processo chamado de 'tapering', em novembro, após o setor privado americano anunciar a criação de 568 mil empregos no mês passado, ficando acima da expectativa de analistas, de criação de 425 mil postos.

Já na Europa, predominam as preocupações com o avanço da estagflação, diante do avanço dos preços na região, causados principalmente pela crise de energia que se abate sobre os europeus, e também devido ao crescimento abaixo do esperado da economia local. Hoje, o varejo da zona do euro subiu apenas 0,3% em setembro, abaixo das previsões de 0,8% dos analistas. Em resposta, as Bolsas de LondresFrankfurt e Paris caíram 1,15%, 1,46% e 1,26% cada.

Por aqui, a situação também preocupa. Houve queda de 3,1% nas vendas do varejo ante julho e recuo de 4,1% no confronto interanual. Já no conceito ampliado, cedeu 2,5% na margem e ficou estável na comparação com agosto de 2020. No geral, todos os resultados ficaram piores do que o esperado pelo mercado. Apesar disso, o dia foi positivo para as varejistas, com Americanas ON em alta de 7,31% e Magazine Luiza, de 5,70%.

Além disso, o cenário fiscal ajuda a aumentar a tensão do mercado, especialmente pela falta de definição de questões essenciais ao

desempenho fiscal, como a reforma do Imposto de Renda, a PEC dos Precatórios e o Auxílio Brasil. Além disso, em desdobramento recente, a convocação do ministro da EconomiaPaulo Guedes, e do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a dar explicações ao Congresso sobre contas que mantêm em paraísos fiscais pode acrescentar ruído extra ao cenário.

"Não foram poucas as vezes em que Guedes mostrou disposição para o enfrentamento, ao precisar dialogar com deputados, senadores. Não há muita dúvida sobre sua capacidade técnica ou credenciais acadêmicas, mas ele também é conhecido pela falta de tato político, diferentemente de antecessores como Meirelles ou Palocci. A necessidade de dar explicações a políticos pode vir a ser um fator a mais de polarização em um momento já conturbado, de dificuldade para o avanço da pauta (de interesse do governo)", diz uma fonte de mercado.

"O pano de fundo é ruim com pendências relacionadas ao Orçamento de 2022, o que mantém a percepção de risco elevada", diz a economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack. "Com o dólar superando R$ 5,50 e toda essa pressão na taxa de câmbio é comum que haja especulação de intervenção maior do BC no câmbio. Mas não há nada de concreto", acrescenta a economista, em referência aos rumores que circularam no mercado.

Assim, ainda que moderadamente, estas primeiras sessões mantêm outubro a caminho de estender a série negativa iniciada em julho, pelo quarto mês seguido. "Não se vê sequência tão ruim desde 2015, no início do segundo mandato de Dilma (Rousseff)", observa Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, casa que projetava em setembro o Ibovespa a 130 mil pontos no fechamento de 2021, sujeita a revisão periódica em novembro.

"Hoje o Ibovespa dava prosseguimento à tendência negativa, chegando a cair 2%, limitando bem as perdas à tarde (até virar, perto do fim). Por trás dessa queda, havia frustração com a produção industrial brasileira, quando se esperava recuperação em agosto, enquanto na política chegam novos ruídos, agora envolvendo conta offshore do ministro Paulo Guedes", diz Lucas Cintra, sócio da Valor Investimentos.

Entre as ações, destaque para os recuos de 2,44% e 2,65% para Petrobras ON e PN, respectivamente, em dia de queda do petróleo. O WTI para novembro fechou em baixa de 1,90%, a US$ 77,43 o barril, enquanto o Brent para dezembro recuou 1,79%, a US$ 81,08 o barril.

Câmbio

Após uma escalada pela manhã e no início da tarde, quando não apenas furou o teto de R$ 5,50 como tocou o patamar de R$ 5,53, o dólar à vista perdeu força nas últimas horas de negócios e acabou encerrando a sessão desta quarta praticamente estável. Na mínima, caiu a R$ 5,47. Apesar de terminar praticamente estável hoje, a moeda americana já acumula valorização de 2,18% nesta semana. O dólar para novembro subiu 0,28%, a R$ 5,5170.

A desaceleração dos ganhos da moeda americana por aqui foi concomitante à melhora do apetite ao risco no exterior, com virada das bolsas em Nova York para o campo positivo, após um acordo para resolver o impasse do teto da dívida dos EUA. Entre as divisas emergentes, o peso mexicano e o rand sul-africano, considerados os principais pares do real, também zeraram as perdas em relação ao dólar. Já o índice DXY - que mede a variação do dólar frente a seis divisas fortes - operou em alta durante todo o dia, acima dos 94 mil pontos.

A economista-chefe da Veedha Investimentos, Camila Abdelmalack, observa que a dinâmica do dólar esteve muito ligada hoje ao ambiente externo, com prevalência do sentimento de aversão ao risco na maior parte do dia, em meio ao impasse do teto da dívida americana e às vésperas da retirada de estímulos monetários nos Estados Unidos.

"À tarde teve uma descompressão do dólar lá fora, com possibilidade de acordo para elevarem o teto da dívida nos EUA até o fim do ano", afirma Abdelmalack, ressaltando que os problemas fiscais domésticos ainda deixam investidores locais na defensiva. /LUÍS EDUARDO LEAL, ANTONIO PEREZ, MAIARA SANTIAGO E ILANA CARDIAL

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