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Dólar e euro valendo o mesmo? Paridade está cada vez mais próxima, depois de 20 anos

Até a sessão da noite desta quarta-feira, 27, em Nova York, o euro caía mais de 7% ante o dólar no acumulado de 2022

Fábio Alves*, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2022 | 12h12

E o que não acontece há exatos 20 anos parece cada vez mais próximo: o euro valer apenas 1 dólar.

Há analista que prevê que o euro vai cair mais e atingir a paridade em relação ao dólar até o fim deste segundo trimestre. Outros acreditam que, até o fim do ano, o euro possa mesmo recuar para entre 85 centavos a 90 centavos de dólar. E há ainda quem acredita que a paridade euro-dólar será evitada.

O fato é que, depois que o euro caiu ontem abaixo de US$ 1,06 pela primeira vez desde março de 2017, a discussão tomou conta do mercado sobre se a paridade do euro e dólar - algo que aconteceu pela última vez em 2002 - está mesmo próxima.

Até a sessão da noite desta quarta-feira, 27, em Nova York, o euro caía mais de 7% ante o dólar no acumulado de 2022. A queda se acentuou a partir de fevereiro, motivada por dois fatores.

Um deles tem sido o tom mais duro do Federal Reserve (Fed) quanto a um ciclo mais agressivo de alta dos juros americanos, enquanto o Banco Central Europeu (BCE) vem se mostrando mais hesitante em fazer um aperto monetário mais forte.

E o outro fator foi a deflagração da guerra na Ucrânia, diante do impacto negativo sobre a economia da zona do euro com a redução no fornecimento de gás natural e de outros produtos energéticos da Rússia.

Na quarta-feira, por exemplo, a queda mais acentuada do euro ante o dólar aconteceu como reação à notícia de que a Rússia havia cortado o fornecimento de gás para a Polônia e a Bulgária.

Ou seja, o movimento de enfraquecimento do euro tem a ver tanto com uma história do dólar (aperto monetário mais agressivo do Fed) quanto com a própria dinâmica da zona do euro (risco de recessão em razão do impacto negativo da guerra na Ucrânia).

"Se o fornecimento de energia [da Rússia] para a Alemanha continuar neste ano, se uma recessão for evitada e se o mercado continuar a esperar um aperto monetário pelo BCE em 2022, eu acredito que a paridade do euro-dólar será evitada", diz a estrategista-sênior de câmbio do Rabobank, Jane Foley. "Dito isso, com os temores de 'lockdown' na China exagerando os riscos para cima a favor da cotação do dólar, eu reconheço a possibilidade um dólar mais forte por mais tempo."

Levando em conta a análise acima, há muitos "se" para que o euro consiga evitar uma paridade em relação ao dólar.

Talvez se o BCE surpreender o mercado e passar a sinalizar um aperto monetário mais duro, com duas altas de juros neste ano, ao menos, essa paridade possa ser evitada.

É bom lembrar que o mercado já está precificando em 100% de probabilidade que o Fed irá elevar a sua taxa básica em 0,50 ponto porcentual nas próximas três reuniões do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, em inglês).

Por outro lado, qualquer escalada no conflito entre Ucrânia e Rússia, levando a novas sanções europeias ou uma punição econômica do governo russo à União Europeia, poderá ser uma influência mais forte empurrando o euro para a paridade ante o dólar.

De qualquer forma, a dinâmica atual do mercado de câmbio do G-10, incluindo fatores técnicos, é desfavorável ao euro e de suporte maior ao dólar. Ao menos no curto prazo.

Tanto que o mercado reagiu pouco a favor do euro após declarações mais duras nos últimos dias por parte de diretores do BCE.

Hoje, mais cedo, o euro chegou a cair abaixo da barreira psicológica de US$ 1,05. Ou seja, a moeda comum pode ter engatado uma dinâmica negativa que corre o risco de virar uma bola de neve.

*Jornalista do Broadcast

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