Dólar em alta com decisão do Copom

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (BC) encerrou há pouco uma longa reunião e anunciou uma decisão inesperada. Os diretores do BC decidiram cortar a taxa de juros referencial da economia, a Selic, em 0,50 ponto percentual, para 18%. A taxa estava inalterada em 18,50% desde março. A ata desta reunião será divulgada na próxima quarta-feira, a partir das 13h30.A decisão do Copom surpreendeu totalmente o mercado e, após a decisão, a bolsa reagiu em alta e os juros futuros passaram a despencar. Às 14h55, o dólar comercial para venda estava sendo cotado na máxima de R$ 2,9060, em alta de 1,18% em relação ao fechamento de ontem. No mercado de juros, os contratos de DI futuro com vencimento em janeiro de 2003, negociados na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), pagavam taxas de 22,350% ao ano, frente a 23,150% ao ano negociados ontem. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) registrava alta de 1,42%.De 28 analistas de bancos e consultorias consultados nos dois últimos dias pela Agência Estado, 21 esperavam a manutenção e apenas 7 contavam com um corte dos juros de 0,25 ponto. Nenhum dos pesquisados esperava corte de 0,50 ponto.Os juros futuros operaram em baixa nesta manhã, mas isto não teve relação com uma expectativa positiva quanto ao Copom. O que mais estimulou a queda das projeções nesta manhã foi o ensaio de reação das bolsas internacionais, proporcionado por algumas notícias melhores sobre os resultados das empresas americanas.Para a maioria dos analistas, porém, este desempenho positivo das bolsas internacionais ainda está longe de convencer. A bolsa de Londres disparou mais de 4%, mas, diante do que já caiu nos pregões anteriores, sequer recuperou as perdas. Em nova York, onde o Dow já vem de vários dias seguidos de baixa, nem num fechamento positivo hoje é possível apostar ainda, pois o mercado continua instável.Ainda que Nova York feche positiva, contudo, o fato é que o impacto sobre o mercado brasileiro não está sendo consistente. O dólar chegou a recuar na abertura, mas retomou a alta e aproxima-se novamente de R$ 2,90. "Se no Copom de junho o BC não cortou a Selic com dólar na faixa de R$ 2,70, como poderia cortar agora?", questionou um operador, lembrando que a pressão cambial seria hoje o principal fator de cautela para o Banco Central.Além do dólar, o fato de a meta da inflação de 2002 estar ameaçada também era citado como motivo para o BC não cortar o juro na reunião de hoje. "Embora a decisão do BC não tenha mais peso sobre 2002, diminuir o juro poderia representar um sinal negativo de relaxamento no combate à inflação", comentou o operador. Mas, embora em minoria, não faltou quem nadasse contra a corrente e apostasse na queda que acabou sendo anunciada pelo Copom. Para estes, o BC deveria focar na meta mais folgada do IPCA em 2003 e nos fortes sinais de desaceleração da economia.Alguns analistas também recomendavam cautela do BC devido ao quadro eleitoral, pois o BC deveria ter preferido evitar qualquer acusação de "viés político" no caso de cortar o juro. Com a eleição à vista e o candidato do governo mal nas pesquisas, dificilmente esta acusação deixaria de ser feita no caso de uma decisão que surpreendesse o mercado.O resultado do Ibope divulgado ontem, mostrando Ciro Gomes sete pontos à frente de José Serra, não afetou os negócios. O mercado considerou que o resultado já estava precificado, pois nos últimos dias operadores comentavam que a vantagem do candidato da Frente Trabalhista poderia chegar a até oito pontos. No entanto, os investidores continuam atentos às pesquisas e, agora, aguardam os números do Vox Populi.

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