Dólar encerra sequência de queda e sobe 0,45%, a R$ 2,025

 Notícias negativas vindas da Europa, com crise na Espanha, deixaram mercado mais cauteloso

Cristina Canas, da Agência Estado,

20 de julho de 2012 | 18h03

A trégua dada pelo noticiário europeu acabou e o ciclo de queda do dólar ante o real, que durou cinco pregões, encerrou-se nesta sexta-feira. A piora veio da Espanha, onde surgiu a notícia de que a região de Valência pedirá ajuda financeira ao governo central. Também foi divulgada a revisão para baixo da estimativa do Produto Interno Bruto (PIB) espanhol em 2013, de 0,2% para -0,5%. Além disso, a classificação de risco do país foi rebaixada pela sexta vez desde abril, pela agência norte-americana Egan-Jones, uma pequena, mas conhecida concorrente das três maiores agência de rating do mundo - Moody''s, Standard e Poor''s e Fitch. Tudo isso ocorreu um dia após o povo espanhol demonstrar publicamente seu descontentamento com a política de contenção de gastos, em grandes manifestações ocorridas em várias cidades do país.

As informações negativas abafaram o resultado favorável da teleconferência dos ministros de Finanças da zona do euro, o Eurogrupo, que aprovaram o resgate aos bancos espanhóis de até 100 bilhões de euros. A ajuda será fornecida pela Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) até que o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, em inglês) esteja disponível. Os empréstimos terão vencimento em até 12 anos e meio, sendo que os desembolsos individuais terão vencimento máximo de 15 anos. A primeira parcela está prevista em 30 bilhões de euros.

"O cenário externo piorou e hoje é sexta-feira. Portanto a palavra de ordem foi a cautela. O dólar só engatou cinco pregões de queda porque havia uma trégua no exterior que foi interrompida hoje", disse o operador da Interbolsa Brasil, Ovídeo de Pinho Soares, ressaltando que o comportamento da moeda norte-americana no mercado doméstico seguiu o rumo registrado pela moeda também no exterior.

O euro, que já vinha apresentando performance pior do que outras moedas, foi às mínimas em dois anos, cotado a US$ 1,2144. Pouco depois das 17h, caía para US$ 1,2163, de US$ 1,2280 ontem. O comportamento da moeda única hoje contaminou e prejudicou o desempenho das principais moedas emergentes.

O real foi uma das penalizadas e, no fechamento, o dólar registrou alta de 0,45%, a R$ 2,025, no mercado à vista de balcão. Na BM&F, o dólar à vista encerrou o pregão a R$ 2,020, com alta de 0,05%, mas somente um negócio foi fechado. O dólar futuro agosto mostrava valorização de 0,52%, a R$ 2,275, às 17h20.

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