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Dólar fecha a R$ 4,03, menor cotação em mais de um mês, e Bolsa fica estável

EUA subiu juros novamente, mas a sinalização pelos dirigentes do Fed de que as novas altas virão de forma gradual fez o dólar cair

Altamiro Silva Junior e Simone Cavalcanti, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2018 | 18h33

O dólar teve novo dia de volatilidade, mas acabou engatando queda após o final da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) e terminou em baixa de 0,93%, a R$ 4,0344 – a menor cotação desde 20 de agosto (R$ 3,9571). Os juros foram novamente elevados nos Estados Unidos, mas a sinalização pelos dirigentes do Fed de que as novas altas virão de forma gradual fez o dólar cair para a mínima do dia, a R$ 4,01.

A moeda americana também caiu ante outros emergentes, como México, Turquia e África do Sul. A nova pesquisa eleitoral do Ibope foi aguardada com ansiedade na parte inicial dos negócios, mas acabou não afetando os preços do dólar ao mostrar um cenário parecido com o levantamento anterior, com a consolidação nas primeiras posições das candidaturas de Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT)

A percepção nas mesas de operação nos últimos dias de um segundo turno polarizado entre Bolsonaro e o candidato petista vem fazendo os investidores comprados em dólar, ou seja, que apostavam na alta da moeda, a reduzirem suas posições, avalia o operador e sócio fundador do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. Com isso, o dólar, que chegou a bater em R$ 4,20 no dia 13, vem caindo e já acumula desvalorização de 2,5% no mês. A preocupação agora do mercado é mais como vai se desenrolar o segundo turno, ressalta ele. 

Apesar desse quadro de relativa calmaria na política, Laatus não acredita que há um cenário neste momento capaz de levar o dólar abaixo de R$ 4, patamar que não rompe desde 20 de agosto. "O ambiente ainda é muito incerto", afirma ele. Além das dúvidas sobre quem será o vencedor, se Haddad ou Bolsonaro, há a incerteza sobre os rumos da agenda de reformas a partir de 2019, que pode sem bem diferente no caso do petista ou do militar reformado. 

Já a decisão do Fed de elevar no'vamente os juros e ainda sinalizar novo aumento este ano e mais três em 2019 foi inicialmente bem-recebida por Wall Street. A maior novidade da reunião foi o Fed retirar a palavra "acomodatícia" do comunicado do encontro. "O fato mais notável do comunicado foi não o que ele contém, mas o que ele não diz e o que foi removido", afirma o economista do banco canadense BMO, James Marple, se referindo à retirada da palavra "acomodatícia" e ao fato do texto não mencionar riscos comerciais, vindos da tensão entre China e a Casa Branca. Para ele, o mercado interpretou a remoção da expressão como uma postura "dovish", ou seja, conservadora e cautelosa na elevação dos juros.

Bolsa de Valores

Em uma sessão marcada por muita instabilidade, o Ibovespa alternou entre altas e baixas ao sabor do exterior, com os indicativos sobre o andamento da política monetária do Federal Reserve (Fed) e, internamente, novos resultados de pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Nesse contexto, houve pouca variação entre a máxima e a mínima intraday (930 pontos), entretanto, o índice não definiu firmemente uma direção. Fechou a sessão regular em torno da estabilidade, com leve alta de 0,03%, aos 78.656,16 pontos. O volume financeiro ficou em R$ 8,2 bilhões.

"Em época de eleição, é normal muita posição ser feita e desfeita. Mas hoje, com uma pesquisa eleitoral sendo divulgada com o mercado aberto, houve montagem, desmontagem e ainda remontagem de posições", notou Fernando Araújo, estrategista que gere fundos de investimentos FCL opportunity.

Ele ressalta que, aliado à cena política, a decisão relativamente positiva do banco central dos Estados Unidos ajudou a alta nos mercados acionários não apenas no Brasil como no resto do mundo. No câmbio doméstico, o dólar operou fraco perante o real, com mínima intraday de R$ 4,01.

Quedas dos índices de energia no exterior aliadas ao dólar mais baixo por aqui abriram espaço para correção de Vale, maior peso na carteira teórica, e empresas do bloco exportador e de siderurgia. Vale ON encerrou o pregão com perda de 3,52%. Mas, o papel da mineradora tem ganhos de 10,82% só em setembro e de 54,23% neste ano. 

Entre as outras blue chips, Petrobras encerrou em alta 0,39% (ON) e 0,55% (PN) na contramão da queda das cotações do petróleo no mercado internacional. Entre os bancos, o único a encerrar em queda, de 0,34%, foi o Banco do Brasil ON. 

 

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