Dólar fecha em alta de 1,19% após CMN e BC

No mês, a moeda acumula alta de 0,18% e no ano a divisa ainda registra perda (-2,75%)

Silvana Rocha, da Agência Estado,

21 de outubro de 2010 | 17h32

O dólar comercial fechou em alta de 1,19% a R$ 1,695 no mercado interbancário de câmbio. No mês, a moeda acumula alta de 0,18% e no ano a divisa ainda registra perda (-2,75%). Na BM&F, a moeda fechou a R$ 1,6965 com ganho de 1,33%. O euro comercial subiu 0,90% para R$ 2,36.

Desde a abertura dos negócios, o dólar ganhou fôlego de alta, refletindo a reação dos investidores às novas determinações do Conselho Monetário Nacional (CMN) e do Banco Central relativas às margens para negócios com derivativos na BM&FBovespa, que já estão em vigor. O governo fechou a porta da arbitragem entre o juro internacional e o doméstico, que os investidores estrangeiros de curto prazo mantinham há tempos. As instituições financeiras estão proibidas agora de realizarem operações de "aluguel, troca ou empréstimo de títulos, valores mobiliários e ouro para investidor não residente cujo objetivo seja o de realizar operações nos mercados de derivativos".

Outra janela fechada foi a que possibilitava aos estrangeiros que já tinham recursos no Brasil colocarem tais ativos como margem na BM&FBovespa, sem pagar IOF. Para evitar isso, o governo passa a exigir realização de operação de "câmbio simultâneo" (uma entrada e saída contábil de dólares do País), cobrando 6% de IOF toda vez que um estrangeiro deposita margem na Bolsa brasileira, mesmo que o recurso já esteja no País. Como medida complementar, o BC determinou que a BM&FBovespa não aceite carta de fiança como garantia nas operações de derivativos. Desde terça-feira, também já está valendo a alíquota maior, de 6% de IOF sobre os fluxos de investidor estrangeiro para renda fixa e depósitos de margem para negociações no mercado futuro.

"Com tantas medidas, o mercado não descarta novidades já que o governo entrou com tudo na guerra cambial contra a apreciação acentuada do real. Além disso, o ambiente externo segue ditando parte do comportamento dos investidores e qualquer piora por lá abre espaço para ajustes aqui", afirmou o operador José Carlos Amado, da Renascença Corretora. Segundo ele, "qualquer ajuste de baixa nas bolsas dos EUA vai estimular compra de dólares aqui e vice-versa. Se o ambiente externo piorar, o dólar no mercado doméstico poderá subir mais nos próximos dias".

Nos dois leilões hoje, o Banco Central comprou dólares com taxas de corte de R$ 1,6865 e R$ 1,6978.

Câmbio turismo

Nas operações de câmbio turismo, o dólar fechou em alta de 0,96% e foi negociado em média à R$ 1,787 na ponta de venda e a R$ 1,667 na compra. O euro turismo fechou com ganho de 1,39% a R$ 2,477 (venda) e R$ 2,313 (compra).

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