Dólar fecha em alta em dia de aversão a risco

Rebaixamento da classificação de risco da Grécia e ata do Federal Reserve impulsionam moeda dos EUA

Leticia Bragaglia, do estadao.com.br,

17 de dezembro de 2009 | 15h39

Em dia de mercados temerosos quanto à economia mundial, o dólar ganhou novo impulso para fechar o pregão em forte alta. A moeda norte-americana fechou cotada a R$ 1,789, em avanço de 2,23%. A forte alta do dólar frente ao real registrada nesta quinta-feira, 17, segue uma tendência de fortalecimento da moeda norte-americana observada também no cenário internacional.

 

Segundo o economista da LLA Investimentos, esse movimento pode ser, em parte, atribuído a ata da última reunião de política monetária divulgada ontem pelo banco central dos Estados Unidos. “O documento reforçou a percepção de que a economia  norte-americana está se recuperando, o que pode resultar na elevação da taxa de juros do país em 2010. Isso favorece as apostas no dólar,” afirmou o economista.

 

Correia cita ainda o rebaixamento da classificação de risco da Grécia por duas grandes agências como fator que impulsiona o dólar neste momento. “Primeiro foi a Fitch e agora a Standard & Poor's. O mercado não ficou indiferente ao fato de duas grandes agências de classificação de risco revisarem para baixo a nota de crédito da Grécia. É natural que, diante desse fato, o dólar se valorize frente ao euro”, avalia Correa.

 

Segundo dados divulgados pelo Banco Central esta manhã, o saldo do fluxo comercial de dezembro está positivo em somente US$ 606 milhões até o dia 15. Já o fluxo financeiro, que habitualmente é negativo em dezembro, com fortes remessas de juros e dividendos, está melhor, com resultado positivo líquido de US$ 1,150 bilhão. Isso soma um fluxo total positivo de US$ 1,756 bilhão acumulado em dezembro até o dia 15. O BC informou também que a posição comprada em câmbio dos bancos estava em US$ 4,137 bilhões em dezembro até o dia 15. O número representa uma estabilidade em relação ao fechamento de novembro, quando os bancos estavam com uma posição comprada em US$ 4,289 bilhões.

 

No que se refere às medidas de regulamentação anunciadas ontem, depois de gerarem uma volatilidade inicial, o mercado de câmbio avaliou que não há impacto direto em cotações. Os especialistas acreditam que as regras visam melhor controle nos fluxos de capitais e nas operações com derivativos, sem alterações nos volume de operações.

 

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