Dólar fecha em alta pelo 4o dia em sessão volátil

O dólar teve o quarto dia seguido dealta nesta quinta-feira, se aproximando do patamar de 1,70 realem uma sessão marcada pela cautela sobre as perspectivas decurto prazo para a moeda norte-americana. A divisa avançou 0,24 por cento, para 1,694 real. Apesar da valorização do dólar, o dia não teve umatendência clara. Com os agentes aguardando uma definição sobreo fundo soberano do país e sobre a força do fluxo cambial com ograu de investimento, a taxa de câmbio oscilou com operaçõespontuais e com o comportamento do mercado global. Essa cautela dos investidores em relação à tendência decurto prazo do dólar se reflete no posicionamento dos agentesno mercado de derivativos. De acordo com a Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F), asposições compradas dos estrangeiros em dólar saltou de 1,57bilhão para 4,17 bilhões de dólares entre terça e quarta-feira--considerando os mercados de dólar futuro e de cupom cambial. O movimento acompanhou a escalada da moeda ao longo dasemana --a alta acumulada desde sexta-feira, quando o dólarfechou no menor nível em nove anos, é de 2,67 por cento. "Não há como descartar a possibilidade do preço da moedaamericana vir a recuar até 1,60 real. Porém para tanto énecessário que ocorram mudanças de atitudes dos investidoresestrangeiros, que parecem um pouco céticos neste momento",analisou Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora. A prudência não se limita à incerteza quanto à atuação dogoverno. O aumento das importações e o déficit nas transaçõescorrentes colocaram muitos agentes em dúvida sobre os limitespara a valorização do real. Os próprios bancos não têm interesse, segundo Nehme, em umadesvalorização mais forte do dólar. As instituições financeirascarregavam no final de abril mais de 12 bilhões de dólares emposições compradas no mercado à vista. Mas o juro relativamente alto e o recente grau deinvestimento ainda são fatores de atração. Segundo PauloFujisaki, analista de mercado da corretora Socopa, isso devereforçar o fluxo positivo nas operações financeiras. "As captações (das empresas) vão comecar a tomar forçaoutra vez. O próprio governo já fez captação lá fora", disse,em referência à reabertura do bônus global com vencimento em2017 realizada pelo Tesouro Nacional na quarta-feira. Nesta manhã, o grupo siderúrgico Gerdau anunciou areabertura de bônus internacional de 10 anos no valor de até500 milhões de dólares. Apesar desses exemplos, Fujisaki ponderou que as captaçõesnão vão ocorrer "de uma hora para outra". O Banco Central antecipou nesta quinta-feira o rotineiroleilão de compra de dólares no mercado à vista. A operação, quecomeçou às 11h02, teve taxa de corte a 1,6902, com uma propostadivulgada aceita, segundo um operador.

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