REUTERS/Beawiharta
REUTERS/Beawiharta

Dólar fecha em queda, apesar do resultado positivo do mercado de trabalho nos EUA

Foram criadas 271 mil vagas, acima das 183 mil esperadas pelos economistas; com resultado, fica mais forte a expectativa de que o banco central norte-americano, o Fed, vai aumentar os juros em dezembro

O Estado de S. Paulo

06 de novembro de 2015 | 13h10

(Atualizado às 18h)

A economia dos Estados Unidos criou 271 mil empregos em outubro, informou o Departamento do Trabalho nesta sexta-feira, 6. O resultado veio bem acima das 183 mil vagas esperadas pelos economistas consultados pela Dow Jones Newswires. 

Além disso, revisões nos dados de agosto e setembro mostraram que, no total, foram criados 12 mil empregos a mais nesses meses do que o inicialmente calculado.

O resultado reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) pode aumentar a taxa de juros ainda em 2015. Nesta semana, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que aumentar os juros em dezembro é uma possibilidade.

Caso isso ocorra, a tendência é de mais valorização do dólar ante outras moedas, em um movimento mundial de busca por dólares. Com a demanda maior, a cotação tende a subir.

Após a divulgação dos indicadores, a cotação do dólar ante o real disparou. Na máxima, às 12h11, o dólar chegou a R$ 3,84, em alta de 1,70%. 

O dólar sustentou ganhos firmes durante a maior parte desta sexta-feira, mas acabou virando para o negativo ante o real em meio à entrada de recursos no País e a movimentos técnicos. 

A moeda à vista fechou o dia queda de 0,43%, aos R$ 3,75. No exterior, o viés principal para o dólar continuava a ser de alta. 

No mercado cambial, os números do mercado de trabalho dos EUA sustentaram ganhos para o dólar ao redor do mundo, inclusive ante o real. Só que a cotação desacelerou no meio da tarde e acabou virando para o negativo. Profissionais ouvidos pelo Broadcast, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado, disseram que um fluxo de entrada de recursos no País pressionou as cotações, ainda mais em um ambiente de liquidez reduzida. Exportadores aproveitaram para vender divisas aproveitando as cotações mais altas.  

Além disso, alguns players que assumiram posições compradas no período da manhã decidiram, à tarde, zerar a exposição. Isso criou uma "bola de neve", com outros participantes dos negócios também reduzindo posições compradas em dólar no mercado futuro. 

ados. A proporção de norte-americanos participando da força de trabalho permaneceu estável em 62,4% em outubro, ainda o nível mais baixo desde 1977.

Os empregos criados em outubro se concentraram no setor privado, que acrescentou 268 mil vagas, enquanto a folha de pagamentos do governo cresceu apenas 3 mil.

Em outubro, 7,9 milhões de trabalhadores norte-americanos que queriam emprego não conseguiram encontrar um. Fonte: Dow Jones Newswires.

Após a divulgação do relatório, as apostas de elevação nos juros básicos do país em dezembro saltaram de 58% logo antes da publicação do indicador para 70%, de acordo com o CME Group. A estimativa tem por base os contratos futuros dos fed funds (taxa básica de juros dos EUA), considerados um termômetro das expectativas de juros nos EUA.

Declarações. O presidente da unidade de St. Louis do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), James Bullard, não explicitou quando espera que os juros americanos subam, mas disse já ver condições que poderiam apoiar esse movimento. Ele observou que as "probabilidades do mercado" de elevação dos juros "têm crescido" e que a última reunião do Fed sugeriu que os fatores que estavam restringindo o banco central de agir foram atenuados.

Bullard tem defendido a alta dos juros e disse acreditar que o Fed deveria ter iniciado o aperto monetário na reunião de setembro. 

O presidente do Federal Reserve de Chicago, Charles Evans, classificou o relatório como "boa notícia", que "aparentemente sustenta bem minha perspectiva para 2016". No entanto, o dirigente acrescentou que as incertezas permanecem com relação a se a inflação chegará à meta anual de 2,0% "dentro de um período de tempo razoável".

Membro com direito a voto nas reuniões deste ano, Evans havia defendido anteriormente um lento e modesto curso para os aumentos de juros nos EUA, a partir de 2016. (Fonte: Dow Jones Newswires. Colaborou: Fabrício de Castro, Gabriel Bueno da Costa e Mariana Congo)

Tudo o que sabemos sobre:
dolarEUAJanet YellenFed

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.