Epitácio Pessoa/Estadão
Epitácio Pessoa/Estadão

Dólar fecha em R$ 3,93, maior cotação desde março de 2016

Sinal do banco central americano de que os juros continuarão em alta renovou tendência de alta global da moeda

Altamiro Silva Junior, O Estado de S.Paulo

05 Julho 2018 | 18h41

O dólar teve novo dia de valorização e fechou cotado a R$ 3,9304, alta de 0,44%, o maior valor desde 1º de março de 2016, período em que a moeda subia em meio às expectativas pelo processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

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A divisa norte-americana abriu a quinta-feira em baixa, mas engatou alta ainda pela manhã e renovou máximas após a publicação da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos). A sinalização de que os juros vão seguir em elevação na maior economia do mundo manteve o dólar valorizado também frente a outras moedas globais. No mercado local, o Banco Central optou por novamente não fazer leilão extraordinário de contratos de swap, marcando o nono dia seguido sem esse tipo de operação. A falta de ação do BC tem gerando desconforto em alguns profissionais do mercado.

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Assim como nos últimos dias, o BC fez apenas leilão de rolagem de contratos de swap que vencem em 1º de agosto, movimentando US$ 700 milhões. A própria ata do Fed citou a valorização do dólar ante o real, destacando que a moeda norte-americana vem se fortalecendo na economia mundial, notadamente ante países como Brasil, México, Argentina e Turquia. Este movimento, combinado com desdobramentos no cenário político, aumentam as preocupações com as "vulnerabilidades financeiras", segundo o documento.

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Para o economista sênior do banco canadense TD Bank, James Marple, a ata do Fed reforça que os juros vão seguir em alta, de forma gradual, apesar de o BC americano ter alertado para riscos que podem vir da ampliação da tensão comercial na economia mundial. Essas incertezas, ressalta Marple, ainda não são suficientes para atrapalhar o plano de voo do Fed. Com a divulgação da ata, o dólar à vista bateu máximas e chegou a superar os R$ 3,94.

Para Bruno Foresti, gerente de câmbio do Ourinvest, a tendência é que a moeda dos EUA siga se apreciando aqui, refletindo, entre outros fatores, o cenário externo, e a expectativa de alta de juros pelo Fed. Ele destaca que tanto os dados recentes do BC sobre o fluxo cambial quanto a avaliação das taxas do cupom cambial (juro em dólar) sinalizam que não está faltando liquidez no mercado à vista para investidores que queiram sair do Brasil. Pela manhã, profissionais de câmbio mencionaram que alguns estrangeiros estavam procurando dólar para sair do País. 

O presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse nesta quinta-feira, 05, em entrevista à Globonews que está monitorando o mercado de câmbio e só vai voltar a usar os swaps quando ver que o mercado está "disfuncional", sem liquidez. O dirigente voltou a afirmar que o BC não vai usar os juros para segurar o câmbio, de acordo com trechos da entrevista adiantados pela jornalista Míriam Leitão em seu blog. Na visão de um diretor de uma corretora, é melhor o BC não se comprometer com valores de intervenção, como fez em junho, pois isso só estimula a especulação. O mais recomendado é que ele pegue o mercado de surpresa, o que aumenta a eficácia da ação.

"O momento é do BC 'assistir e não intervir', visto que os eventuais fatores de pressão sobre a formação da taxa cambial não são de demanda por proteção e nem no mercado à vista", ressalta o diretor executivo da NGO, Sidnei Nehme. Para ele, o fato de o BC ter anunciado em maio e junho os volumes de swap que pretendia ofertar, acabou levando a demanda por estes papéis para além da necessidade de proteção cambial, com os agentes usando os papéis para especulação.

Nesta sexta, as atenções das mesas de operação vão estar na divulgação do relatório mensal de emprego dos Estados Unidos, com dados de junho. O documento deve calibrar as apostas de altas de juros pelo Fed em suas próximas reuniões. Além disso, começam a vigorar as novas tarifas dos EUA sobre produtos chineses e Pequim ameaça retaliar na mesma intensidade.

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