Dólar fecha estável, sob olhar cauteloso de investidores

Economistas aguardam divulgação de índices que apontam se houve retomada no crescimento dos empregos

Silvana Rocha, Agência Estado

02 de dezembro de 2009 | 18h02

O dólar à vista oscilou entre leves quedas e altas na sessão até fechar praticamente estável em meio a um fluxo de entrada pequeno e baixo volume de negócios. Os investidores por aqui olharam para o comportamento "de lado" da moeda norte-americana no exterior e não quiseram assumir posições mais arriscadas antes da divulgação nos EUA do payroll de novembro, na sexta-feira.

 

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Segundo o economista Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, a razão da cautela é que o emprego é o último indicador econômico que aponta se a retomada do crescimento está se realizando ou não. Assim, se os dados de emprego a serem divulgados vierem melhores que o esperado, irão corroborar outros indicadores recentes favoráveis e o mercado deve refazer suas apostas para a política monetária dos EUA, prevendo uma antecipação do início do aperto nos juros pelo Federal Reserve, afirmou Daoud.

 

Nesta quarta, 2, os números da ADP/Macroeconomic Advisers sobre as condições de emprego no setor privado nos EUA vieram piores do que as previsões. Contudo, outros indicadores divulgados ajudaram a neutralizar o efeito negativo sobre os mercados dos dados do setor privado. Em sua pesquisa, a ADP/MA disse que o setor privado cortou 169 mil vagas de emprego em novembro, superando a previsão dos economistas de perda de 150 mil postos de trabalho.

 

No fechamento, o dólar à vista ficou estável no balcão, cotado a R$ 1,7220, após oscilar de uma mínima de R$ 1,716 (-0,35%) à máxima de R$ 1,724 (+0,12%). Na BM&F, o pronto encerrou com leve alta de 0,09%, a R$ 1,7235.

 

O giro financeiro em D+2 registrado até 16h35 somava cerca de US$ 1,1 bilhão - 59% menor que o volume em D+2 da véspera, informou Amado.

 

No mercado futuro, quatro vencimentos de dólar (janeiro/2010, fevereiro foram negociados até às 16h17, com um volume de negócios de cerca de US$ 7,847 bilhões ou 46% inferior ao giro anterior. Deste total, o dólar que vence em 1º de janeiro de 2010 concentrou um volume financeiro de US$ 7,831 bilhões e projetava às 16h27 leve queda de 0,03%, a R$ 1,7300.

 

No leilão vespertino de compra de dólar, o Banco Central fixou a taxa de corte em R$ 1,7247. A compra diária de dólares realizada pelo Banco Central aumentou as reservas internacionais em US$ 2,678 bilhões em novembro, conforme levantamento preliminar feito até o dia 27. Dados da autoridade monetária divulgados hoje mostram que na quarta semana do mês, entre os dias 23 e 27, essas intervenções diárias somaram US$ 690 milhões às reservas. Desde que a compra diária foi retomada em 8 de maio, o BC já retirou US$ 23,679 bilhões do mercado à vista.

 

A autoridade monetária divulgou, mais cedo, que houve um forte fluxo cambial positivo na quarta semana de novembro (dos dias 23 a 27), de US$ 2,077 bilhões. Este resultado aumentou o fluxo cambial do mês, que acumulou até o dia 27/11 a entrada líquida de US$ 3,558 bilhões. De acordo com o BC, o forte movimento da semana passada foi liderado pelo segmento financeiro, onde são registradas as transferências para compra de ações e títulos, investimentos produtivos e remessas de lucros e dividendos. Nessa conta, a quarta semana de novembro teve ingresso de US$ 2,287 bilhões, resultado de entradas de US$ 7,656 bilhões e saídas de US$ 5,368 bilhões. No acumulado do mês, a conta financeira acumula ingresso de US$ 2,458 bilhões, com ingresso de US$ 22,979 bilhões e saídas de US$ 20,521 bilhões.

 

Na conta comercial, a semana passada teve movimento contrário, com saída líquida de US$ 210 milhões, decorrente de importações de US$ 4,634 bilhões e exportações de US$ 4,424 bilhões no período. No acumulado do mês, o segmento comercial registra ingresso líquido de US$ 1,100 bilhão, com exportações de US$ 12,405 bilhões e importações de US$ 11,305 bilhões.

 

No ano até o dia 27 de novembro, o fluxo cambial registra entrada de US$ 26,414 bilhões, resultado de superávits pela conta financeira de US$ 15,713 bilhões e pelo segmento comercial, de US$ 10,701 bilhões.

 

Nos Estados Unidos, mais cedo, a empresa de recolocação Challenger Gray & Christmas disse que as principais empresas do país reduziram o ritmo de demissões anunciadas pelo quarto mês consecutivo, com o número de cortes de empregos planejados no menor nível desde o início da recessão, em dezembro de 2007. Os empregadores anunciaram 50.349 cortes de vagas em novembro, 9,6% a menos que em outubro e 72% abaixo do nível de novembro de 2008.

 

Também, novas pesquisas sobre o início da temporada de vendas de final de ano, que começou na Black Friday, sexta-feira seguinte ao feriado de Ação de Graças, indicaram que o consumo cresceu, especialmente para o segmento do comércio online e de artigos de menor custo.

 

No mercado de moedas às 17h32, o euro caía 0,34%, a US$ 1,5040; e o dólar subia 0,34%, a 87,36 ienes.

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