Dólar fecha quase estável, em R$ 2,0930

O dólar encerrou praticamente estável nesta quinta-feira, cotado a R$ 2,0930 na ponta de venda das operações, em leve queda de 0,05% em relação aos últimos negócios de ontem. Durante o dia, a moeda norte-americana oscilou entre a máxima de R$ 2,1000 e a mínima de R$ 2,0920. Na quarta-feira, o BC reforçou as compras de dólares no mercado à vista e isso fez com que as tesourarias corressem para ajustar suas fortes posições vendidas (que apostam na queda do dólar), em meio ao receio de que pressões políticas pudessem levar a uma alteração na postura da autoridade monetária. "Talvez o mercado esteja sentindo que tem um pouco de pressão do lado político a respeito da taxa cambial, então o mercado está sentindo que o BC não vai deixar (o dólar) cair tanto", comentou o operador de câmbio de uma corretora nacional. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), levou ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, na terça-feira a preocupação do partido com a forte valorização do real. Mas o ministro afirmou, na véspera, que a questão cambial não será resolvida com medidas artificiais. De acordo com o diretor de câmbio da corretora Pioneer, João Medeiros, não há muito que o BC possa fazer para segurar a valorização do real com o cenário favorável. "A colocação ontem (de bônus) do governo foi aceita, falam de entrada de dólares no mercado na semana que vem, mais exportação, melhora nos preços das commodities, não tem o que faça o câmbio subir", comentou o diretor. A queda recente do dólar também motivou os ajustes de posições, disseram operadores, com muitos compradores aproveitando o preço baixo. PerspectivaO dólar poderá voltar à relativa estabilidade, caso o Banco Central continue a atuar agressivamente no mercado à vista de dólar, como fez nesta quarta-feira. A avaliação é do ex-diretor de Política Econômica do Banco Central, diretor-executivo do Itaú e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Sérgio Werlang. O dólar acentuou sua trajetória de queda na semana passada, após o comunicado da reunião do Federal Reserve, nos Estados Unidos e é agora motivo de preocupação do governo e de pressão para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "À proporção que o juro for caindo nas próximas decisões do Copom, o diferencial de juros (entre o mercado interno e externo) vai diminuir e o efeito monetário, que também ajuda o câmbio a ficar muito valorizado, vai diminuindo ao longo do tempo. Há chance de o dólar cair abaixo de R$ 2,00 se o BC resolver não intervir. Mas minha impressão é que essa onda inicial deve ter diminuído", ressaltou. No longo prazo, com juro real em torno de 7% ao ano, Werlang acredita que o dólar possa se acomodar ,"com alguma compra de dólares pelo BC", ao redor de R$ 2,15 e R$ 2,20.Além das atuações do BC, Werlang defende também a liberalização do mercado de câmbio. "O mecanismo principal, realisticamente, seria a aprovação da lei que liberasse completamente o mercado de câmbio", explicou, em referência ao projeto de lei cambial da Fiesp (PLCF), que tramita no Congresso. A alternativa atual para o BC, no entanto, é cortar juros e continuar comprando dólares.

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