Dólar fecha semana em alta de 2%; Bolsa acumula perdas

O dólar subiu nesta sexta-feira e acumulou alta de 2% por cento em uma semana turbulenta, que assistiu à volta da aversão ao risco entre os investidores estrangeiros após uma forte queda na Bolsa de Xangai, a valorização do iene e o temor de uma recessão nos Estados Unidos. A moeda norte-americana exibiu alta de 0,61% nesta sexta-feira e foi vendida a R$ 2,1320, após mais um dia de ajustes no mercado global, com os investidores buscando ativos mais seguros. É a maior cotação desde o dia 29 de janeiro, quando o dólar foi vendido a R$ 2,1360 reais. Às 17h30, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) opera em queda de 1,63% O movimento desta semana foi desencadeado pela queda de quase 9% da Bolsa de Xangai na terça-feira, que se somou às preocupações sobre a possibilidade de os EUA entrarem em recessão no final do ano, conforme comentários pessimistas do ex-presidente do banco central norte-americano Alan Greenspan. A valorização do iene também perturbou os mercados, por gerar temores de que os carry trades percam lucratividade. Nessa operação, os investidores tomam empréstimos em moedas com baixo custo para aplicar em ativos de alto risco, como títulos de países emergentes. "(O mercado doméstico) seguiu o mercado mundial, com fortes vendas de papéis, o que afetou o dólar automaticamente", disse Tarcísio Rodrigues, diretor de câmbio do Banco Paulista. "Apesar das reservas consideráveis, apesar do risco-país baixo, nós estamos voláteis, há grande vulnerabilidade", acrescentou. RiscoEm fevereiro, o risco Brasil - taxa que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País - , medido pelo JP Morgan, registrou a mínima histórica de 175 pontos básicos acima dos juros dos títulos norte-americanos. Nesta sexta-feira, o índice subia 7 pontos, a 201 pontos-básicos.Para Tarcísio, a chegada do final de semana também explica a alta do dia. "Como hoje é sexta-feira, o pessoal decidiu se calçar um pouco e comprar mais moeda, fazendo com que o dólar subisse", explicou. Assim, os investidores "esperam o que pode acontecer com a Ásia", onde começou a turbulência nos mercados". O novo momento pode afetar também a tendência de queda do dólar, que atingiu em fevereiro o menor valor em 9 meses com o forte fluxo de moeda estrangeira. Para Tarcísio, alguns investidores perderam tanto dinheiro em outros locais que "acabam tendo que tirar de outros países".

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