Coluna

Fabrizio Gueratto: como o investidor pode recuperar suas perdas no IRB Brasil

Dólar fica abaixo de R$ 2,30 pela 1ª vez desde 16 de fevereiro

O dólar no mercado doméstico afundou durante a tarde e fechou abaixo de R$ 2,30 pela primeira vez desde 16 de fevereiro e na cotação mínima de hoje, de R$ 2,299, em queda de 2,17% no balcão e na BM&F. O forte declínio da moeda resultou de saídas de players estrangeiros, especialmente, de suas posições compradas em dólar em meio às altas das bolsas e perspectivas sombrias para a economia mundial e brasileira em 2009. Esse movimento amparou um aumento de 95% no giro financeiro total à vista, que somou cerca de US$ 3,123 bilhões, dos quais cerca de US$ 2,974 bilhões em D+2.

Silvana Rocha, da Agência Estado

12 de março de 2009 | 17h21

 

Também justificou as quedas dos contratos de dólar no mercado futuro. Os seis vencimentos da moeda negociados até 16h30 projetaram taxas mais baixas, com um giro de US$ 12,178 bilhões. O contrato mais negociado, de abril/09, foi cotado no último negócio às 16h38 a R$ 2,3105, em baixa de 1,87%, informou um operador de tesouraria de um banco nacional. Esse vencimento oscilou na sessão entre R$ 2,305 (-2,16%) e R$ 2,360 (+0,23%) e concentrou um giro de US$ 11,974 bilhões do total.

 

As firmes altas sustentadas pelas bolsas norte-americanas ajudaram a amparar o avanço da Bovespa à tarde e também estimularam vendas de dólares. Pesaram ainda as perspectivas de menor demanda futura pela moeda.

 

Segundo o operador Sidnei Nehme, da NGO Corretora, alguns investidores, especialmente os estrangeiros, reforçaram o movimento de saída de suas posições em dólar prevendo que, com o enfraquecimento da economia mundial e brasileira este ano, haverá menor demanda por moeda de importadores, as filiais de empresas estrangeiras no Brasil terão menos lucros e dividendos para remeter às matrizes no exterior e haverá redução em despesas com viagens internacionais. Tudo isso, segundo ele, diminuirá a pressão de demanda sobre o dólar e a expectativa é de que as cotações da moeda poderão ceder mais. Assim, esses players podem embolsar parte de eventuais ganhos antes que os preços recuem mais, explicou Nehme. Nesse contexto, ele avalia que o dólar poderá vir a testar os R$ 2,10 em breve.

 

Em relação à suspensão pelo Banco Central da operação de amanhã para repasse de empréstimo em dólar para rolagem de dívida externa, o especialista avalia que a não apresentação de propostas pelas empresas e bancos pode estar relacionada a custos. Apesar da demanda estimada de US$ 2,5 bilhões para essa modalidade de empréstimo, nenhuma empresa ou bancos enviou propostas ao BC. "Como o BC repassa os recursos aos bancos que transferem aos clientes, o gargalo pode estar no custo do repasse dos dólares pelos bancos aos clientes, que poderia estar sendo desfavorável e levando algumas empresas a liquidarem suas dívidas em moeda estrangeira ou a buscarem outras fontes de captação de recursos no exterior com custo melhor do que o interno.

 

Mais cedo, o BC informou que amanhã, data em que estava previsto um desembolso nessa modalidade, não fará empréstimos por não ter recebido propostas formais. Os novos dias previstos para desembolso serão: 20 e 31 de março, 15 e 30 de abril, 15 e 29 de maio e 15 e 30 de junho. A data de 27 de março, prevista anteriormente, não terá mais validade, segundo informou a assessoria do BC. O programa de empréstimos para rolagem de dívida externa contempla os vencimentos de dívida do período de outubro de 2008 a dezembro de 2009, apurou o jornalista da AE em Brasília Fabio Graner.

 

Hoje, o BC fez um leilão de moeda estrangeira vinculado a operações de comércio exterior (ACC e ACE) em que aceitou 11 propostas e vai repassar US$ 1 bilhão. A taxa de corte do leilão ficou em 1,5% acima da Libor, taxa do mercado interbancário de Londres, de ontem. A taxa de venda dos dólares por parte do Banco Central, que vai ter liquidação no próximo dia 16, foi de R$ 2,334. A taxa de recompra pelo BC, com liquidação em 13 de abril, ficou em R$ 2,3459, com um DI interpolado de 11,212%.

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