Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Dólar foi muito além do que esperávamos, diz presidente da Aché

O presidente da companhia, Paulo Nigro, disse durante o evento Empresas Mais do 'Estado' que a variação cambial impacta diretamente as matérias-primas importadas

Anna Carolina Papp, Fernando Scheller, Fernanda Guimarães e Aline Bronzati, O Estado de S. Paulo

29 Setembro 2015 | 09h42

Com 100% dos componentes dos produtos importados, a farmacêutica Aché sentiu de maneira "direta" e "seca" a alta do dólar, afirmou o presidente Paulo Nigro, no evento de premiação do ranking Empresas Mais, promovido pelo Estadão. "É impossível dizer que o dólar não afeta, ele impacta diretamente as matérias-primas importadas. Por maior proteção que tenhamos feito, o câmbio foi muito além do que poderíamos prever", disse ele, afirmando que a empresa fizera hedge (operação financeira para proteção contra variação cambial) com dólar a R$ 3,50.

"Outra coisa que nos preocupa é a operação da folha de pagamento, já que no ano que vem ainda teremos recessão e inflação acima da meta", diz. A estratégia da empresa, segundo ele, é focar em "inovação radical". "Hoje há uma imensidão de oportunidades dentro e fora do Brasil. Vamos renovar portfólio e focar em exportação, expandindo mercados existentes e abrindo novos."

Cosan. O presidente da Cosan, Marcos Lutz, afirmou que a empresa vive dois mundos em relação ao câmbio: do lado do atendimento ao agronegócio, que exporta e recebe em dólares, há um impacto positivo. Já na distribuição de combustíveis, há peso nos custos. Ele diz que a dívida da empresa na moeda americana está protegida por operações de hedge de câmbio, não sendo afetada pela variação brusca recente.

Em relação ao crescimento do mercado interno, Lutz afirmou que a perspectiva para os próximos dois anos não é positiva, mas, novamente, espera que o negócio da ALL seja blindado pelo desempenho do agronegócio, que tem viés fortemente exportador.

Quanto à possibilidade de impeachment da presidente Dilma Rousseff, ele diz que não sabe avaliar se a possibilidade é real, mas ressalva que o debate não é positivo neste momento. 

JBS. O presidente da JBS, Wesley Batista, disse que a decisão da companhia em proteger sua dívida em dólar, por meio de instrumentos financeiros, ocorreu no primeiro semestre do ano passado, quando foi identificada uma queda dos preços das commodities e tendência de menor crescimento dos países emergentes, sintomas que já indicavam desvalorização da moeda brasileira. A JBS possui hoje uma posição de cerca de US$ 12 bilhões em derivativos. "No primeiro semestre de 2014 a dívida já estava totalmente protegida", disse.

Em relatório do Credit Suisse enviado na semana passada ao mercado os analistas citaram que os resultados a JBS seriam beneficiados pela estratégia cambial adotada, sendo que a instituição financeira estimou que os derivativos contribuiriam com R$ 12,709 bilhões para o resultado financeiro líquido da companhia no terceiro trimestre, linha que deve ficar positiva em R$ 5,281 bilhões no período, segundo calculou o Credit.

O executivo citou que hoje a diversificação regional da companhia ajuda nesse momento de maiores desafios no Brasil, e lembrou que hoje cerca de 20% da receita do grupo tem origem no Brasil. Ele lembrou ainda que há setores mais afetados pela retração da economia, mas que esse efeito é menos em alimentos básicos, segmento de atuação da JBS.

Ainda em relação à desvalorização do real em relação ao dólar, o executivo disse que um dos afeitos positivos é que a atual taxa de câmbio está ajudando a compensar a queda dos preços das commodities.

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