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Dólar forte piora quadro de inflação, diz economista

A disparada do dólar em relação ao real tende a agravar o cenário de inflação no Brasil que já não era dos melhores, disse hoje o economista-sênior do Besi Brasil, Flávio Serrano, durante entrevista à AE TV. "A alta da moeda vai se traduzir em aceleração da inflação e só vai piorar um processo que já seria ruim se o dólar não estivesse nesse patamar". Nesta quarta-feira, a moeda americana rompeu a marca psicológica de R$ 1,80 e já acumula ganhos acima de 15% em setembro.

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

21 de setembro de 2011 | 17h21

A valorização do dólar deve fazer com que o IPCA ultrapasse ainda mais o teto da meta de 6,5% estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). "O repasse dessa alta (moeda norte-americana) deve demorar de dois a três meses, mas já há a expectativa de que todos os itens do IPCA acelerem daqui para frente. Com isso, facilmente o teto da meta poderá ser rompido este ano", disse.

"Bens comercializáveis, preços de commodities e de industrializados devem sentir mais os efeitos da alta do dólar. Além disso, o setor de Serviços vai continuar pressionando a inflação, já que o mercado de trabalho continua extremamente favorável. Isso não muda", destacou. "Sem contar o aumento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) sobre veículos importados", acrescentou.

O economista lembrou, ainda, que a alta inesperada observada no IPCA-15 de setembro deve continuar impulsionando para cima o índice geral neste e no próximo ano. "Em novembro e dezembro começa a entressafra da cana e certamente os preços ficarão ainda mais caros no início de 2012", disse, lembrando que o álcool em si tem pouca influência sobre o IPCA, mas acaba por pressionar os preços, já que é adicionado à gasolina, impactando direto no bolso do consumidor.

Para 2012, Serrano estima um ano "complicado" no campo da inflação brasileira. "No ano que vem as perspectivas não são boas. O IPCA deve ficar entre 5,5% e 6,0%, muito além do que gostaríamos. Uma taxa aceitável seria da ordem de 4,5% ao ano", acrescentou. "E também não acreditamos que o viés desinflacionário internacional atingirá o Brasil", afirmou.

No caso do dólar, o economista acredita que a moeda americana seguirá volátil no curto prazo, reflexo principalmente das preocupações dos investidores em relação aos desdobramentos da tensão econômica internacional. Apesar disso, ele acrescenta que questões domésticas também estão por trás do desempenho da moeda norte-americana neste momento, que hoje fechou a R$ 1,845 e já acumula valorização de 15,75% em setembro. "O corte de 0,50 ponto porcentual na taxa de juros promovido pelo Banco Central em agosto e as medidas adotadas pelo governo para barrar a valorização do real também justificam esse comportamento", disse.

O economista, no entanto, não descarta que a moeda americana busque o patamar de R$ 1,90, caso o cenário internacional se agrave ainda mais. No entanto, observa que os fatores internos apontam para um fortalecimento do real, em razão dos fundamentos econômicos considerados favoráveis. "O País tende a continuar atraindo capital, com IED (Investimento Estrangeiro Direto) positivo. Os dados do fluxo cambial nos fazem acreditar nessa hipótese de um real mais valorização, mas se isso irá acontecer ou não é cedo para saber", avaliou.

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