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Bolsa e dólar fecham em leve alta com cautela de investidores

Mercado ainda reage ao cenário político e não está confiante se o governo conseguirá implementar as medidas anunciadas

Paula Dias, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2016 | 15h13

SÃO PAULO - No dia em que o governo Michel Temer anunciou as primeiras medidas econômicas, o dólar e a Bovespa fecharam muito próximos da estabilidade. A moeda americana fechou cotada a R$ 3,5740 no mercado à vista, em alta de 0,02%. O Índice Bovespa marcou 49.345,18 pontos, com ganho de 0,03%. Antes do fechamento estável, no entanto, os ativos alternaram altas e baixas, refletindo influências nacionais e internacionais.

As medidas foram bem avaliadas em um primeiro momento, mas à tarde os receios em torno do cenário político fizeram o dólar virar para o positivo e a Bovespa, para o negativo. Entre as preocupações, destaque para a proposta de nova meta fiscal para 2016 que não foi votada na Comissão Mista de Orçamento por falta de quórum e, até o fechamento do mercado, ainda não havia sido colocada em votação no plenário do Congresso.

Pela manhã, o sinal negativo para o dólar era justificado pela saída do senador Romero Jucá (PMDB-RO) do Ministério do Planejamento, após o vazamento de gravação na qual ele sugeria pacto para controlar a Lava Jato. A avaliação era de que o presidente em exercício, Michel Temer, agiu rápido ao tirar Jucá de sua equipe. No exterior, o dólar também cedia ante várias divisas, em função do avanço do petróleo tanto em Londres quanto em Nova York.

No mercado de ações, a alta de 0,03% foi a primeira em oito pregões e a segunda desde que Michel Temer assumiu a Presidência da República, no último dia 12. O volume de negócios totalizou R$ 5,19 bilhões, montante bem inferior à média de maio (R$ 7,024 bilhões) e um indicativo de que o investidor está em compasso de espera.

O mercado teve dois momentos distintos. Pela manhã, o Índice Bovespa chegou a subir 1,36% (aos 50.002 pontos), sustentado pelo bom humor no cenário internacional e pela expectativa positiva da divulgação das primeiras medidas econômicas do governo Temer. Após o anúncio do pacote, as ações perderam fôlego e passaram a refletir um sentimento mais cauteloso em relação à capacidade do governo de vencer os próximos desafios.

Das medidas anunciadas pelo governo, a única com efeito direto foi o anúncio da extinção do Fundo Soberano do Brasil (FSB), que conta atualmente com R$ 2 bilhões de patrimônio. O fundo foi criado no governo de Luiz Inácio Lula da Silva como destino para os recursos do pré-sal. A medida depende apenas do Executivo para ser colocada em prática, sem necessidade de aval do Congresso.

O anúncio acertou em cheio as ações do Banco do Brasil, que operavam em alta e passaram para a coluna das maiores quedas do Ibovespa. Isso porque os papéis do banco representam 96,8% do patrimônio do Fundo Fiscal de Investimentos e Estabilização (FFIE), fundo privado que compõe o FSB e do qual a União é cotista única. Na carteira do fundo estavam 105.024.600 papéis do BB em abril. Em um movimento de antecipação de uma possível venda dos papéis, Banco do Brasil ON fechou em queda de 5,39% e liderou as baixas do Ibovespa.

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