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Dólar cai 1,41% e fecha em R$ 4,80; Bolsa avança 1,71%

O dia foi marcado por apetite ao risco e enfraquecimento da moeda americana no exterior, sobretudo em relação ao euro

Antonio Perez e Luís Eduardo Leal, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2022 | 10h51

O dólar encerrou a primeira sessão desta semana em queda de 1,41%, cotado a R$ 4,8054, menor valor desde 22 de abril. O dia foi marcado por apetite ao risco e enfraquecimento da moeda americana no exterior, sobretudo em relação ao euro. Operadores relataram entrada de fluxo de recursos para a bolsa brasileira, em especial para ações ligadas a commodities, fechamento de câmbio por exportadores e redução de posições cambiais defensivas no mercado futuro. Você pode acompanhar a cotação no conversor de moedas do Estadão.

A moeda brasileira e os ativos locais se beneficiam da perspectiva de estímulos econômicos na China, o que diminui os temores de uma desaceleração do PIB global e dá suporte aos preços das commodities. Além disso, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, acenou com a possibilidade de retirar tarifas a produtos chineses (impostas no governo Donald Trump) justamente em momento de fragilidade do comércio internacional em razão da guerra na Ucrânia.

Relatos da mídia estatal chinesa dão conta de que Pequim vai fornecer abatimentos de créditos fiscais a mais setores econômicos e elevará o corte de impostos anuais em mais de 140 bilhões de yuans, para 2,64 trilhões de yuans. Na semana passada, o Banco do Povo da China (PBoC, o BC chinês) cortou a taxa para empréstimos de longo prazo de 4,60% para 4,45%, para amenizar o tombo do setor imobiliário. A China também já iniciou um relaxamento de medidas restritivas prescritas pela política de covid zero que minam o crescimento econômico.

"Estão vindo ventos externos positivos. A China dando estímulos para sustentar a economia significa boa perspectiva para commodities. Isso atrai investidores para a nossa bolsa e aumenta entrada de dólar do lado comercial", afirma o gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginaldo Galhardo, acrescentando que questões domésticas, como a aprovação da privatização da Eletrobras e o projeto de unificação da alíquota do ICSM sobre combustíveis e energia contribuem para alavancar os ativos locais hoje.

Com raras exceções, a moeda americana apresentou perdas frente a divisas emergentes e de países exportadores de commodities. O índice DXY - que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas fortes - trabalhou em queda superior a 0,90% a maior parte do dia. Esse movimento teve como principal responsável a forte valorização do euro (acima de 1%), após a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, sinalizar alta de juros em junho e dizer que o cenário de taxas negativas para depósitos na região deve terminar em setembro. No mesmo tom, o presidente do Banco da França e dirigente do BCE, François Villeroy de Galhau, afirmou, no Fórum Econômico Mundial de Davos, que uma alta de juro no curto prazo na região "está praticamente fechada".

Para Galhardo, da Treviso, a alta de juros na Europa atenua a tendência recente de fortalecimento da moeda americana no exterior, na esteira do processo de elevação dos juros pelo Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), que divulga a ata do seu último encontro de política monetária na quarta-feira (25).

Se não houver episódios agudos de aversão ao risco no exterior, Galhardo prevê que o real pode seguir se apreciando e até o dólar romper R$ 4,60, dado que o Brasil ainda oferece condições atraentes para o investidor estrangeiro, como taxa de juros elevadas e uma bolsa ligada a commodities. "O dólar pode continuar em queda nas próximas semanas, mas deve retornar em agosto para um patamar de R$ 5 e pode até alcançar R$ 5,20 com a eleição para presidencial", diz Galhardo.

Bolsa

Surfando a relativa melhora do humor externo, o Ibovespa obteve nesta abertura de semana o terceiro ganho diário consecutivo, colhendo perda (-2,34%) em apenas uma das últimas nove sessões, saindo da faixa dos 103 mil pontos, no fechamento de 10 de maio, para retomar agora o nível de 110 mil, não visto em encerramento desde 25 de abril (110.684,95). Hoje, a referência da B3 subiu 1,71%, aos 110.345,82 pontos, com giro a R$ 26,3 bilhões. No mês, sobe 2,29%, colocando o ganho do ano a 5,27%.

Após ter ensaiado na sexta-feira ingressar em 'bear market', os índices S&P 500 (+1,86%), Dow Jones (+1,98%) e Nasdaq (+1,59%) subiram com firmeza nesta segunda-feira. O dia foi também amplamente positivo nas bolsas europeias, com novo fortalecimento do euro frente ao dólar, ante sinal, do Banco Central Europeu (BCE), de que os juros na zona do euro possam começar a subir ainda em julho e que a taxa de depósito deixe de ser negativa até o fim de setembro - a indicação favoreceu as ações de bancos.

"Na última semana, o mercado mostrou que a volatilidade segue presente nas bolsas ao redor do mundo", observa Antônio Sanches, analista da Rico Investimentos, chamando atenção para o descolamento da B3 no fim da semana passada, beneficiada então pela redução da taxa de juros de longo prazo na China - "uma sinalização de movimentação do governo (chinês) para estimular a economia, que perde fôlego diante da política de covid-zero no país". Em paralelo, um quadro nada benigno na maior economia de todas: inflação alta, juros em elevação e receio de que os Estados Unidos venham a entrar em recessão, combinação que contribui para a moderação do apetite por risco vista desde o mês passado, acrescenta o analista.

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