Dólar ignora exterior e avança a R$ 2,043, enquanto juros caem

Cenário:

CRISTINA CANAS , O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h08

Em direção oposta à trajetória registrada ante várias moedas no exterior, o dólar à vista no balcão fechou em alta de 0,54%, ontem, cotado a R$ 2,043. Em dois dias úteis na semana, a moeda norte-americana apresenta alta de quase 1% ante o real, em um movimento amparado pela expectativa entre os agentes financeiros de que o Banco Central não irá rolar o vencimento superior a US$ 4 bilhões em contratos de swap cambial em 3 de setembro. A liquidação da operação, corresponde a uma retirada de dólares no mercado, o que pressiona as cotações para cima, A aproximação do vencimento contribuiu também para inflar o giro financeiro nas operações à vista, que andava limitado nas últimas semanas pela previsibilidade das transações.

No mercado de renda fixa, no primeiro dos dois dias de reunião do Copom, os juros futuros prosseguiram na trajetória de queda. Além de embutir o consenso de que hoje o Comitê de Política Monetária, deve cortar em mais 0,50 ponto porcentual a taxa básica de juros (Selic), para 7,50%, os investidores aumentam as apostas em novo recuo em outubro. Ainda que possivelmente em menor magnitude, de 0,25 ponto porcentual.

Assim como o câmbio, o mercado acionário doméstico também contrariou o comportamento das principais bolsas estrangeiras e a Bovespa fechou a sessão desta terça-feira em alta. A valorização do principal índice, o Ibovespa, foi de 0,51% a 58.406,40 pontos. O volume financeiro, porém, ficou abaixo de R$ 5 bilhões pelo segundo dia consecutivo, refletindo a falta de vontade dos investidores para montar novas posições antes do discurso do presidente do Federal Reserve, Ben Bernanke, no simpósio econômico em Jackson Hole. Apesar da alta do Ibovespa, as ações mais negociadas fecharam no negativo. Petrobrás ON caiu 0,45% e PN, 0,14%. Já Vale PN perdeu 0,24% e PNA, 0,03%.

Em Nova York, os índices acionários fecharam em direções divergentes, influenciados por dados mistos da economia dos Estados Unidos, enquanto o dólar reagiu em baixa ao menor nível da confiança do consumidor no país desde novembro de 2011. Na Europa, as bolsas foram pressionadas por notícias de que a Catalunha, região autônoma da Espanha, pedirá assistência financeira. O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, cancelou a participação no simpósio nos EUA, alimentando expectativas de que o BCE pode estar finalizando um plano para compra de bônus soberanos da zona do euro, o que beneficiou a moeda única.

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