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Bolsa perde a estabilidade e fecha com queda superior a 1%; dólar recua e fica a R$ 5,27

Possível segunda onda da covid-19 no mundo pesou no mercado brasileiro, que também vê o aumento de casos no País; nem mesmo a alta em NY segurou os ganhos do índice

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2020 | 09h02
Atualizado 22 de junho de 2020 | 18h38

Bolsa de Valores de São Paulo, a B3, ignorou a alta do mercado acionário em Nova York nesta segunda-feira, 22, ao quebrar com uma sequência de quatro ganhos e encerrar em queda de 1,28%, aos 95.335,96 pontos, após ser pressionada por uma segunda onda do novo coronavírus no mundo. Já o dólar, no entanto, foi na contramão e fechou com queda de 0,89%, cotado a R$ 5,2706.

Nesta segunda, a Coreia do Sul confirmou para a Organização Mundial da Saúde (OMS) que está enfrentando uma segunda onda de coronavírus. Enquanto isso, a organização divulgou ainda hoje, que registrou um aumento mundial recorde de casos no último domingo, 21, vindos principalmente da América do Norte e América do Sul. Vale lembrar que por aqui, a covid-19 já deixou mais de 1 milhão de infectados e 50 mil mortos.

"O mercado vai seguir volátil porque há a incerteza com relação a uma segunda onda de coronavírus e a demanda na economia, que quando voltar, não será com tudo. O momento é de cautela e de seletividade, agora, quanto ao ponto de entrada, e o que acaba predominando na sessão é uma realização de lucros", diz Márcio Gomes, analista da Necton.

Nesse cenário, o Ibovespa, principal índice de ações do mercado brasileiro, não resistiu a pressão e acabou cedendo no final do pregão. Na mínima do dia, ele cedia 1,76%, aos 94.868,81 pontos. No entanto, até por volta das 15h, a B3 seguia com total estabilidade, aos 96 mil pontos.

Apesar dos resultados desta segunda decepcionarem, a Bolsa ainda acumula ganho de 9,08% no mês e cede apenas 17,56% no ano. Entre as maiores altas do índice, estão as ações da Sabesp, com 4,41%, à espera do Senado votar na próxima quarta-feira, 24, o novo marco regulatório do saneamento. Entre as quedas, está a Raia Drogasil, com 5,56%, Azul, com 5,37% e Petrobrás PN, com 2,42%. 

Câmbio

Apesar da tensão vinda do coronavírus no exterior, o dólar se manteve em trajetória de queda frente ao real nesta segunda. Na mínima do dia, a moeda caía abaixo de R$ 5,20, a R$ 5,1934. Vale lembrar que na semana passada, a moeda americana encerrou o pregão acima de R$ 5,30, cotada a R$ 5,318. 

Segundo operadores consultados pelo Estadão/Broadcast, o início da rolagem hoje, de acordos de swap cambial (venda de dólares no mercado futuro) avaliados em US$ 10 bilhões pelo Banco Central, com validade para agosto, também deram novo fôlego ao câmbio.

O dólar para julho fechou com queda de 1,20%, cotado a R$ 5,2545. A moeda americana também recuou no exterior e no fim de tarde em Nova York, já perdia força ante outras divisas fortes, como libra e euro.

Contexto internacional

Na China, pesa ainda um recente surto de coronavírus na capital, Pequim, que, no entanto, já estaria sob controle. O Banco do Povo da China (PBoC, como é conhecido o BC chinês), decidiu manter inalteradas suas taxas de juros de referência para empréstimos de curto e longo prazos. Pelo segundo mês consecutivo, a chamada LPR de um ano permaneceu em 3,85% e a LPR para empréstimos de cinco anos ou mais longos ficou em 4,65%. 

Nos Estados Unidos, a atenção também se volta para o aumento de casos da covid-19, principalmente em Estados que estão em meio ao processo de reabertura. Por lá, porém, acalmou o investidor o anúncio de Donald Trump de que um novo projeto de estímulos será anunciado nas próximas semanas. O presidente, contudo, não deu detalhes sobre.

Já na Europa, as notícias não foram tão positivas. Segundo o vice-presidente do Banco Central Europeu (BCE), Luis de Guindos,  a previsão para o Produto Interno Bruto (PIB) da zona do euro neste ano é de contração de 8,7%, seguida de crescimento de 5,2% em 2021. "No final de 2022, o PIB da zona do euro será 4% menor do que o projetado em março de 2020", ressaltou. Com isso, o Stoxx 600 encerrou o dia em baixa de 0,76%.

Petróleo

Pela primeira vez desde março, a commodity fechou acima de US$ 40, tanto em Nova York quanto na Europa. Nesta segunda, nem mesmo o temor frente aos novos casos de coronavírus pesaram no mercado de petróleo, que fechou no positivo ainda influenciado pelo processo de reabertura das economias no exterior.

O petróleo WTI para agosto, referência no mercado americano, fechou em alta de 2,26%, a US$ 40,73. Já o contrato para julho do WTI, que venceu hoje, fechou em alta de 1,79%, a US$ 40,46 o barril. Em outro continente, o Brent para agosto, referência no mercado europeu, subiu 2,11%, a US$ 43,08 o barril.

Bolsas do exterior

A notícia de uma segunda da covid-19 deixou os mercados da Ásia sem direção nesta segunda. O japonês Nikkei caiu 0,18%, enquanto o Hang Seng se desvalorizou 0,54% em Hong Kong e o sul-coreano Kospi recuou 0,68% em Seul. Na China, o Xangai Composto caiu 0,08% e o Shenzhen Composto subiu 0,29%. Já o Taiex avançou 0,20% em Taiwan. Na Oceania, a Bolsa australiana teve ganho marginal de 0,03%.

Com previsões negativas e de olho no coronavírus, as Bolsas da Europa tiveram queda generalizada. Londres recuou 0,76%, enquanto Frankfurt teve queda de 0,55%. A Bolsa de Milão cedeu 0,71%, Paris caiu 0,62% e Lisboa teve baixa de 1,06%. A Bolsa de Madri também recuou 0,92% nesta segunda.

O mau humor das Bolsas da Ásia e da Europa não pesou nas Bolsas de Nova York, que tiveram alta generalizada. O Dow Jones fechou em alta de 0,59% e o S&P 500 subiu 0,65%. Já o Nasdaq teve ganho de 1,11% e fechou aos 10.056,47 pontos, um novo recorde para um fechamento./MAIARA SANTIAGO, LUÍS EDUARDO LEAL E ALTAMIRO SILVA JÚNIOR

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