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Bolsa amplia perdas e encerra aos 77 mil pontos; dólar fecha a R$ 5,25

Desemprego nos Estados Unidos e saída de Mandetta ajudaram a derrubar a B3; moeda americana tem nova escalada e volta a se aproximar de R$ 5,30

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2020 | 09h09
Atualizado 17 de abril de 2020 | 18h31

A Bolsa de Valores de São Paulo, a B3ampliou as perdas nesta quinta-feira, 16, e tornou a fechar em queda de 1,29%, aos 77.881,85 pontos. Já o dólar manteve o ritmo de valorização e terminou o dia com alta de 0,29%, cotado a R$ 5,25. Influenciaram o mercado brasileiro, os novos dados do desemprego nos Estados Unidos e a despedida de Luiz Henrique Mandetta, do Ministério da Saúde.

Apesar dos resultados do final da tarde, o dia começou positivo para o Ibovespa, principal índice do mercado brasileiro. Logo na abertura, a Bolsa apresentava alta superior a 1%, alcançando novamente o patamar dos 80 mil pontos, como aconteceu na última terça-feira, 14.

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No entanto, o índice começou a desacelerar já na parte da manhã. Às 11h15, a B3 cedia aos 77.910,95 pontos, em uma queda acentuada que começou em torno das 10h30. Na mínima do dia, às 16h12, a Bolsa caía aos 77.443,34 pontos. Com os resultados desta quinta, o Ibovespa mantém o ritmo de queda da última quarta-feira, 15A única diferença, nesse caso, é que no pregão anterior, o índice caiu, mas ainda conseguiu fechar acima dos 79 mil pontos - o que, tudo indica, não deve acontecer hoje.

Nesse cenário, os investidores estrangeiros já retiraram R$ 192,790 milhões da B3, somente no pregão da última terça. Para abril, o saldo de capital estrangeiro está negativo em R$ 1,191 bilhão, sendo que, no ano, R$ 65,529 bilhões de investidores estrangeiros já saíram do mercado brasileiro.

A situação também foi parecida com o dólarA moeda abriu as negociações desta quinta em queda, na comparação com o fechamento da última quarta, quando encerrou a R$ 5,24Pela manhã, a moeda era cotada a R$ 5,22. Na mínima do dia, o dólar estava a R$ 5,20 - já na máxima, alcançada às 16h16, ela era negociada a R$ 5,26. 

Devido a pandemia do novo coronavírus, a moeda americana já tem valorização superior a 30% em 2020. Para se ter uma ideia, no primeiro dia de negociações do câmbio deste ano, 2 de janeiro, a moeda era cotada a R$ 4. Nas casas de câmbio, de acordo com levantamento do Estadão/Broadcast, o dólar turismo já chegou a custar próximo de R$ 5,60. 

E os investidores ainda devem continuar observando atentamente os novos dados da doença no País e no mundo. No Brasil, o coronavírus já deixou 1.924 vítimas fatais e 30.425 infectados. No mundo, o vírus já soma mais de 2 milhões de casos e 143 mil mortos.

Cenário local

O mercado brasileiro foi afetado nesta quinta, pela demissão do então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. No final da tarde, Nelson Teich foi revelado como o novo ministro da pasta - este mais flexível ao fim do atual isolamento social, assim como o presidente Jair Bolsonaro. Porém, apesar da troca ter sido sentida já no pregão de hoje, a expectativa é que maiores resultados sejam notados apenas na sessão da próxima sexta-feira, 17. Até lá, o assunto já repercute na mídia internacional.

Ainda nesse cenário, o governo já se prepara para o pós-coronavírus, com um pacote de obras que deve ajudar na retomada dos empregos. A verba, no entanto, ainda é alvo de discussão, já que o orçamento ficou apertado devido aos gastos com a pandemia. Um pacote de concessões, com 44 leilões, também é aguardado.

Um plano de ajuda ainda virá dos bancos, que já preparam um pacote de socorro de R$ 50 bilhões aos setores mais afetados pela crise. Empresas de energia, aéreas e a cadeia automotiva serão os primeiros contemplados, que também deve levar em consideração o setor de varejo. 

Aliás, programas de socorro serão essenciais em meio ao coronavírus. Nesse sentido, 25 governadores enviaram uma carta para que o Senado libere a ajuda do governo federal, assim como ela foi aprovada na Câmara. Porém, os gastos extras nessa altura já ficam complicados, já que o governo concordou com a ampliação do auxílio emergencial de R$ 600 a mães adolescentes e pais solteiros.

Cenário internacional

Nesta quinta, o mercado mundial foi influenciado pela notícia de que alguns governos, como Alemanha, Itália e Espanha, já se preparam para sair do isolamento causado pelo novo coronavírus. No entanto, o cenário ainda é de incerteza, já que França e Reino Unido seguem com medidas drásticas para garantir o distanciamento físico e diminuir a disseminação da doença

Na agenda de indicadores, a produção industrial da zona do euro recuou 0,1% em fevereiro ante janeiro, mas o dado, que veio como previsto, ainda não capta a piora com a pandemia. Já na Alemanha, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 1,4% em março ante fevereiro, desacelerando, mas em linha com o esperado. 

Porém, vieram dos Estados Unidos os dados mais alarmantes para o mercado nesta quinta: o desemprego já atinge 20 milhões de pessoas no país, um nível que não era visto desde a Grande Depressão, em 1929. Em consequência dos números, o presidente Donald Trump já considera fazer uma reabertura forçada da economia, com o fim das medidas de isolamento social. A atitude, no entanto, preocupa governadores e especialistas, que temem um aumento ainda maior no número de casos. Vale lembrar que os EUA já tem 31.002 mortos e 640.014 infectados pelo novo coronavírus.

Petróleo

Em relatório divulgado hoje, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) projeta que a crise provocada pela covid-19 terá impacto "sem precedentes" na demanda pela commodity, que deve cair 6,85 milhões de barris por dia (bpd) este ano. "Os riscos de queda permanecem significativos, sugerindo a possibilidade novos ajustes (nas previsões) no segundo trimestre do ano, caso novos dados e desenvolvimentos adicionais justifiquem revisões", explica a Opep. 

Em resposta, o petróleo do tipo WTI para maio, referência no mercado americano, encerrou estável, a US$ 19,87 o barril. Já o Brent para junho, referência no mercado europeu, fechou com leve alta de 0,47%, a US$ 27,82.    

Bolsas do exterior

Apesar dos resultados do desemprego nos EUA, as Bolsas de Nova York fecharam em alta, com os investidores reagindo ao discurso de Trump de que a economia será reaberta. O Dow Jones fechou em alta de 0,14%, o Nasdaq subiu 1,66% e o S&P 500 teve ganho de 0,58%.

Na Ásiaas Bolsas fecharam em queda generalizada nesta quinta. A maior foi registrada na Bolsa do Japãocom o índice Nikkei caindo 1,33% em TóquioEm seguida, vieram Taiwancom perda de 0,69% e Hong Kong, com recuo de 0,58%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 teve perda de 0,92%, após chegar a cair 2,2% no pior momento da sessão. No continente asiático, o único país a ter avanço - mesmo que de forma tímida, foi a China, com ganho de 0,31%.

Já as Bolsas da Europa fecharam sem direção única nesta quinta. Em Londres, o índice FTSE 100 fechou em alta de 0,55%, assim como em Frankfurt, com o índice DAX subindo a 0,21%. Em Milão, o índice FTSE MIB também teve ganho de 0,29%. Na Bolsa de Paris, o índice CAC 40 recuou 0,08%, já em Madri, o IBEX 35 teve perda de 1,11% - situação parecida com Lisboa, onde o índice PSI 20 fechou em queda de 0,75%./SÉRGIO CALDAS, FELIPE SIQUEIRA, GABRIEL BUENO DA COSTA, ANDRÉ MARINHO E MAIARA SANTIAGO

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