Dólar interrompe trajetória de alta

O dólar comercial interrompeu hoje a trajetória de alta iniciada na segunda-feira, para fechar em queda de 0,70%, cotado na venda a R$ 1,9910. Esse resultado reduziu o ganho acumulado pelo comercial frente ao real neste mês, até agora, para 0,91%. A reversão de preço da moeda refletiu especialmente a mudança de humor do mercado, após o anúncio pelo Banco Central e Tesouro da redução de US$ 3 bi para US$ 1,2 bi do limite de compras este ano de dólar "pronto". Como o Tesouro já adquiriu US$ 260 mi em janeiro, a média de compra mensal seria de US$ 84 mi, valor considerado baixo para impactar o preço do comercial. Analistas afirmaram que também estimularam vendas de dólar hoje o bem-sucedido swap da dívida da Argentina e a expectativa de melhora do fluxo, por conta de captações por empresas e bancos e da licitação das três licenças da Banda D, marcada para o dia 20/2 e com preço mínimo total de R$ 2,190 bi. Um ingresso de recursos à tarde ajudou ainda a derrubar a cotação do comercial, dado o aumento abrupto da oferta de moeda no dia. Hoje, o Bradesco anunciou que deve fechar amanhã uma emissão de US$ 100 mi em bônus no mercado internacional, com prazo de um ano e cupom (juro nominal) na casa de 6,70%. Na sexta-feira passada, a Cesp também fechou uma emissão de US$ 300 mi em eurobônus e o Bradesco um empréstimo sindicalizado de US$ 100 mi, que já ingressaram nesta semana, segundo os analistas. Eles afirmaram que o alongamento de prazo da dívida Argentina a juro mais baixo, obtido na primeira troca de bônus deste ano no valor de US$ 4,202 bi, estimulou vendas de dólar pela percepção de o investidor estrangeiro está receptivo a papéis de países emergentes, incluindo o Brasil. Essa operação de swap (troca de papéis velhos por novos) da dívida, segundo apurou o correspondente da AE em Buenos Aires, Vladimir Goitia, implicou redução de US$ 191,6 mi do valor nominal da dívida pública e um ganho financeiro de US$ 18,5 mi. A operação resultou ainda uma redução das amortizações da dívida pública de US$ 3,105 bi até 2004. Experiente analista afirmou que os exportadores perderam essa semana um boa oportunidade de realizar lucros, por que ficaram ausentes do mercado quando o dólar rompeu a barreira psicológica de R$ 2,00. Esse comportamento do exportador, segundo esse analista, demonstra a falta de experiência e receio de operar num mercado flutuante. Outro profissional comentou que a transparência do BC e do Tesouro na divulgação de sua política cambial hoje acalmou o mercado, porém deixou claro que o dólar acima de R$ 2,00 incomoda o governo, apesar do discurso sobre a política de taxa flutuante: "dólar flutuante flutua, para cima e para baixo". A expectativa dos analistas é que o leilão de amanhã de 2,470 mi de NBC-E, emitidas em 16/10/2000 e com vencimento em 17/11/2005, atraia o investidor doméstico, especialmente fundos de pensão. Isso porque o investidor externo ainda estaria ressabiado em adquirir papéis cambiais com prazo longo, de cerca de cinco anos, por causa do risco potencializado pelas eleições presidenciais de 2002. O dólar comercial operou o dia todo em campo negativo e teve grande volatilidade. O preço oscilou 0,70% hoje, entre a mínima de R$ 1,9900 (-0,75%) e a máxima de R$ 2,0040 (-0,05%). O giro financeiro no D2 "pronto" manteve-se praticamente estável, em cerca de US$ 2,150 bi, ante US$ 2,197 bi registrados ontem.

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