Dólar já ajuda indústria a exportar, aponta CNI

Refletindo a desvalorização do real em relação ao dólar, a participação de produtos exportados pela indústria brasileira chegou a 19,2% do total produzido pelo setor, um crescimento de 0,6 ponto porcentual na comparação com o primeiro trimestre e de 0,3 ponto porcentual se comparado com o mesmo período de 2014. Os dados foram divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Bernardo Caram / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2015 | 02h03

De acordo com a entidade, as exportações brasileiras têm reagido gradualmente à depreciação do real, apontando uma recuperação da rentabilidade dos produtos embarcados para o exterior. A CNI avalia que o efeito do real mais fraco na corrente comercial é positivo, apesar da defasagem de tempo para que surta efeito. "A resposta do volume exportado pela indústria ao estímulo cambial ainda não é expressiva", diz o relatório.

A confederação destaca que, apesar de o valor das exportações em dólares ter sofrido queda de 3,9% no acumulado do terceiro trimestre de 2014 ante o segundo trimestre deste ano, o coeficiente de exportação apresentou crescimento. "O que reflete o efeito da depreciação do real sobre a rentabilidade das exportações, isto é, o efeito positivo sobre as receitas em reais das vendas ao exterior."

Tempo. Segundo a CNI, a variação negativa do valor das exportações em dólares é decorrente de uma redução dos preços e da expansão ainda tímida das quantidades exportadas. "O efeito sobre as quantidades exportadas leva mais tempo para ocorrer por causa das dificuldades inerentes à entrada em novos mercados." De acordo com o relatório, setores que continuam a direcionar parte relevante de sua produção para os mercados externos têm conseguido reagir mais rapidamente ao câmbio competitivo.

De acordo com o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, os setores que mais se beneficiam da desvalorização do real são os que possuem cadeia de produção mais curta. Para ele, é difícil dizer qual seria um patamar saudável do câmbio. "O câmbio a R$3,50 é bom? É, mas houve uma desvalorização muito rápida do real."

Castro ressalta que os custos no Brasil fazem com que o ganho cambial do setor exportador não seja tão bom quanto parece. "O custo de energia está subindo, o custo tributário está subindo, o custo de pessoal e a inflação também. Então o ganho cambial líquido está longe de ser o que se possa imaginar de que o exportador vai vender tudo e todo mundo vai ficar feliz", explicou.

Setores. A indústria extrativa apresentou no trimestre forte alta no coeficiente de exportação. Do total produzido, 67,9% foi voltado à exportação, uma elevação de 7,3 pontos porcentuais na comparação com o mesmo período de 2014. Já a indústria de transformação apresentou um coeficiente de 16%, uma alta de 0,7 ponto.

Dentro do segmento de transformação a maior baixa na participação de exportação ficou com o fumo, com queda de 12,3 pontos porcentuais na comparação com o primeiro trimestre. A alta mais expressiva foi de equipamentos de transporte, com elevação de 5,9 pontos.

Com relação aos importados, a fatia dos produtos estrangeiros no consumo representou 22% do total, alta de 0,2 ponto sobre o trimestre anterior e de 0,5 ponto ante o 2º trimestre .

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