Dólar mantém patamar entre 1,75 e 1,90 peso

O mercado argentino de câmbio voltou a abrir nervoso hoje e o dólar começou a ser negociado nos patamares do fechamento de ontem. De acordo com dados do Banco Central, a moeda norte-americana era negociada às 11 horas de Buenos Aires (12hde Brasília) entre 1,65 e 1,70 peso por dólar para compra e 1,75 e 1,90 peso por dólar para venda.O analista-chefe da Maxinver.com, Hernán Fardi, explicou à Agência Estado que as operações nesse mercado deverão continuar nervosas enquanto o governo e o Banco Central não definirem regras claras para a economia do país. "Anunciam uma coisa de manhã e, à noite, eles mudam", criticou Fardi. Ontem, quando o dólar disparou para 2,05 pesos, o BancoCentral teve de intervir com cerca de US$ 9 milhões para evitar uma alta maior da divisa norte-americana. "O problema é que o BC não tem recursos suficientes como para frear uma corrida maior ao dólar. Ontem foi possível porque a demanda foi pequena", disse o analista.O clima na city portenha (centro financeiro) continua cheia de incertezas, não só pela pouca liquidez de peso, mas também pelas filas que os argentinos têm de enfrentar nos bancos e nas casas de câmbio. Na sexta-feira, primeiro dia de funcionamento do sistema financeiro depois dos feriados bancário e cambial, e na segunda-feira, o mercado haviareagido com certa tranqüilidade. Fardi disse, no entanto, que a tranqüilidade foi aparente, porque a demanda de dólares se restringiu a pequenos investidores. Na terça-feira, "os grandes investidores entraram no mercado, aos quais se somou o público que precisa dessa divisa para pagar dívidas contraídas em dólar", afirmou o analista.Sem rumoFardi criticou também a falta de um modelo econômico concreto para a Argentina. Para ele, os dirigentes continuam tapando "um buraco atrás de outro". Esta manhã, o presidente Eduardo Duhalde iniciou, na Quinta de Olivos, residênciaoficial da presidência, uma reunião de gabinete, na qual poderá ser decidida uma flexibilização do "corralito" financeiro (congelamento dos depósitos)."A Argentina precisa de um pacto entre todos os setores dasociedade que permita o surgimento de um plano econômico concreto e não apenas de políticas ou modelos para determinados setores. Temos 14 milhões de pobres e quase 20% de desempregados e isso exige uma política industrial e de desenvolvimento séria e factível", afirmou Fardi.Para ele, o "tema Chile" (eventual modelo que a Argentina poderia adotar) pode até ser aplicável no país, mas levaria no mínimo cinco anos para chegar onde o Chile chegou. Sobre as consultas feitas pelo governo argentino ao presidente do BC brasileiro, Armínio Fraga, Fardi disse que a busca de experiências de outros países que passaram por problemas semelhantes sempre é muito importante. Mas, acrescentou, "o problema da Argentina continua sendo o mesmo: ausência de uma política industrial e de desenvolvimento que atenue os problemas da pobreza e do desemprego".Leia o especial

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