Dólar mira R$1,60 com novo status do país

O dólar caiu pelo terceiro diaseguido nesta sexta-feira, em meio a expectativas positivasdepois da concessão de mais um grau de investimento para oBrasil e da confirmação de que o governo não comprará dólaresno curto prazo para o fundo soberano. A moeda norte-americana terminou em baixa de 0,67 porcento, a 1,628 real --menor valor de encerramento desde 20 dejaneiro de 1999. Após o aval da Fitch ao país, na véspera, foi a vez dogoverno dar uma notícia favorável à queda do dólar. Segundo oministro da Fazenda, Guido Mantega, o fundo soberano serácomposto por reais em um primeiro momento, sem a necessidade decomprar moeda estrangeira no mercado. Inicialmente, um dos objetivos do fundo seria enxugar partedo excedente de dólares, amenizando a valorização do real. Coma mudança de foco, analistas vêem mais espaço no curto prazopara a queda da moeda norte-americana. Mas ainda há muita incerteza sobre a profundidade da quedado dólar. "Com o fluxo (trazido pelo grau de investimento),agora o dólar realmente vai querer esse 1,50 (real). Mas nãosei a velocidade", disse Renato Schoemberger, operador da AlpesCorretora. "Ele deve trabalhar o mês de junho em 1,60 (real)". Sidnei Nehme, diretor-executivo da NGO Corretora, acreditaque os bancos trabalharão para manter a taxa de câmbio longe de1,60 real, já que a continuidade da queda desvalorizaria osdólares nas mãos das instituições --até a metade do mês, aposição comprada em moeda norte-americana pelos bancos superava12 bilhões de dólares. "Se o aumento do fluxo não se tornar efetivo, (os bancos)terão todo o interesse em 'puxar' a taxa rapidamente paracima", escreveu em relatório. No mercado futuro, porém, os bancos são os agentes com maisposições vendidas --apostando na queda do dólar. Isso podecontrabalançar eventuais perdas das instituições. Segundo Milton Mota, operador da SLW Corretora, a queda dodólar nesta sexta-feira também foi favorecida pela alta daBolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) e dos principaisíndices de ações em Wall Street. A baixa do dólar nos últimos três dias garantiu que adivisa terminasse maio com queda acumulada de 2,10 por cento.Em 2008, a desvalorização do dólar é de 8,38 por cento. No final da sessão, o Banco Central realizou um leilão decompra de dólares no mercado, com pouca influência sobre a taxade câmbio. Foram aceitas três propostas, segundo um operador,com taxa de corte a 1,6292 real.

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