Dólar não deve voltar para menos de R$ 2, afirma Pimentel

A partir de 2014, o País sai de programa dos EUA que concede reduções tributárias a produtos fabricados por países em desenvolvimento, mas ministro minimiza impacto

Anne Warth e Laís Alegretti e Eduardo Cucolo, da Agência Estado,

04 de julho de 2013 | 15h25

BRASÍLIA - O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou que o câmbio não deve voltar a patamares inferiores a R$ 2,00. "Não sei qual será o patamar do câmbio, mas seguramente não voltará aos níveis abaixo de R$ 2,00, que tivemos por dois anos", afirmou, durante audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado.

Pimentel fez a afirmação ao ser questionado pelos senadores sobre os impactos da saída do Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP) dos Estados Unidos, que concede reduções tributárias totais ou parciais a produtos fabricados por países em desenvolvimento. O Brasil será excluído do programa em janeiro de 2014.

"De fato vai acabar em janeiro de 2014, já sabemos disso. Não queremos transformar em prêmio de consolação, mas podemos relativizar esse impacto se nós observarmos que o câmbio mudou de patamar. Ele ajuda", afirmou. "Se ficarmos com o câmbio em torno de R$ 2,20, isso minimiza o impacto do fim do SGP."

O ministro disse que o governo avalia a situação econômica brasileira com realismo, e não com otimismo exagerado. "Nossa obrigação é transmitir a realidade, e a realidade é que o Brasil está melhor posicionado que a maioria dos países do mundo para atravessar a crise econômica internacional", afirmou.

Pimentel disse que o Brasil vive uma situação próxima do pleno emprego, enquanto altas taxas de desemprego atingem países da Europa. Segundo ele, o crescimento de 0,6% do PIB no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre de 2012 foi o quinto melhor resultado mundial nessa base de comparação. "Um leigo dirá que ela é baixa, mas foi a quinta maior taxa de crescimento do PIB trimestral do mundo", afirmou.

"Temos dificuldades e problemas, sabemos que temos que trabalhar com eles, mas não estamos em situação de pré-crise. Estamos enfrentando com valor e galhardia o período de travessia da crise internacional", acrescentou.

Pimentel disse que o País conta com reservas suficientes para enfrentar qualquer "tempestade cambial" e citou que a relação entre a dívida líquida e o PIB diminuiu de 60% para 35% em dez anos.

'É preciso estabilidade no câmbio'. A alta recente do dólar vai ajudar a melhorar a competitividade de indústria brasileira no médio prazo, mas traz pressões inflacionárias no curto prazo, na avaliação da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

"Do ponto de vista do comércio, as estimativas são de prazos de seis meses para que se observe uma reação (por causa do câmbio). Mas você precisa ter certa estabilidade. Não adianta mudanças cambiais com oscilações frequentes, pois não dá segurança. A mudança no câmbio precisa se consolidar", disse Flávio Castelo Branco, gerente executivo de Política Econômica da CNI.

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