Dólar não pára de cair em onda de otimismo

Até as instituições financeiras foram surpreendidas pelo atual movimento do câmbio. A maioria ainda não teve tempo de rever suas previsões para o final do ano, que ainda indicam o dólar entre R$ 2,70 e R$ 2,80. Ontem o comercial para venda fechou em R$ 2,3320, a menor cotação desde 2 de julho e é possível que caia ainda mais. Desde o dia 21 de setembro - quando atingiu a cotação histórica de R$ 2,8350 -, o comercial já acumula queda de 17,74%. No ano, a alta do dólar reduziu-se para 19,53%. Na pesquisa do Banco Central (BC) junto às instituições financeiras nacionais, a maioria das projeções já indica melhora em todos os itens com exceção da inflação. Para 2001 e 2001, as expectativas são mais favoráveis para o crescimento econômico, contas públicas, contas externas e cotação do dólar. E ainda podem ser revistas. Por outro lado, investidores brasileiros e estrangeiros cansaram da crise argentina, que julgam já estar embutida nas cotações dos atuais negócios. Ela deixou de ser surpresa, e foi incorporada pelo mercado. Assim, enquanto o risco país da Argentina disparou para valores acima de 4000 pontos-base, o brasileiro recuou para valores abaixo de 900 pontos-base. Essa tranqüilidade dos investidores coincide com várias captações expressivas de grandes empresas brasileiras, o que garante entradas de dólares, deprimindo as cotações. A moeda até pode voltar a se valorizar mais à frente, mas até que o mercado absorva esses recursos, não há muito combustível para altas significativas. Além disso, na época em que o dólar não parava de subir, a desconfiança com o câmbio fazia com que as empresas comprassem divisas para se proteger, impulsionando ainda mais as cotações. Agora, conforme o real se valoriza, quem tem dólar perde dinheiro, além de perder os juros de outras aplicações financeiras mais atraentes na moeda brasileira. A queda nas cotações faz com que aumentem as vendas, e o dólar cai ainda mais. Os investidores temiam que o governo estivesse mais preocupado em estabelecer um piso para a moeda norte-americana, pois o dólar caro incentiva exportações e inibe importações. Os efeitos na balança comercial são imediatos. Mas o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, deu o sinal verde para uma queda mais aguda na sexta-feira. Fraga disse à imprensa que "numa visão de médio e longo prazo a taxa de câmbio estava muito depreciada e possivelmente hoje ainda esteja." E admitiu que deve interromper em janeiro as vendas diárias de US$ 50 milhões no mercado, instituídas em setembro para controlar o câmbio. Argentina cada vez pior O que prova a indiferença do investidor brasileiro aos eventos pontuais na Argentina é exatamente a queda do dólar quando a situação do país vizinho nunca esteve pior. O ministro da Economia, Domingo Cavallo, voltou de Washington de mãos vazias mais uma vez. Ele pretendia conseguir a liberação da parcela de US$ 1,26 bilhões do Fundo Monetário Internacional (FMI), negada na semana passada. Como ainda considera uma reforma do regime cambial inaceitável, só resta realizar maiores cortes orçamentários. Enquanto se prepara uma greve geral nacional na quinta-feira, as reservas internacionais do país mantêm-se em nível muito perigoso. Na prática, o peso já está sendo trocado com ágio de cerca de 20% pelos doleiros, que apareceram quase que no mesmo instante em que foram instituídos controles aos saques bancários e compras de dólares. Eles refletem o fim da paridade na prática, embora a equipe econômica tente resistir, já que 60% da dívida de cidadãos, empresas e governo esteja denominada em dólares. Mas quanto mais o governo espera, menos opções lhe restam. Nas previsões mais otimistas, até abril do ano que vem será atingido o limite legal de 66 centavos de dólar para cada peso em circulação. O mercado espera para ver como será viabilizada a necessária dolarização, desvalorização do peso ou mistura de ambas. Analistas acreditam que quando vier a ruptura no sistema atual, os efeitos serão sentidos no Brasil, mesmo que pontualmente. Por enquanto, o mercado prefere ignorar essa possibilidade. Não deixe de ver no link abaixo as dicas de investimento, com as recomendações das principais instituições financeiras, incluindo indicações de carteira para as suas aplicações, de acordo com o perfil do investidor e prazo da aplicação. Confira ainda a tabela resumo financeiro com os principais dados do mercado.

Agencia Estado,

11 Dezembro 2001 | 07h23

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