Ralph Orlowski/Reuters
Ralph Orlowski/Reuters

Dúvidas com Brexit fazem Bolsa cair 1,72%

Ações de bancos puxaram queda da Bovespa e temor de investidores também influenciou o dólar; moeda fechou em alta de 0,42%, cotada a R$ 3,39

Paula Dias, Lucas Hirata, Silvana Rocha, O Estado de S.Paulo

27 Junho 2016 | 11h56

As dúvidas sobre até que ponto a saída do Reino Unido da União Europeia vai interferir no ritmo da economia global voltaram a penalizar as bolsas na Europa e nos Estados Unidos - e o Brasil não foi poupado desse movimento. A Bovespa chegou a ensaiar uma discreta alta pela manhã (+0,11%), mas sucumbiu diante da aversão ao risco e fechou em queda de 1,72%, com o Índice Bovespa em 49.245,53 pontos. O desempenho foi puxado principalmente pelas ações do setor bancário, sintonizadas com seus pares internacionais. 

No segundo pregão após o resultado do plebiscito que aprovou o "sim" ao Brexit por 51,9% dos votos, as ações de bancos na Europa refletiram o temor de fuga de recursos de instituições europeias. Seus pares no Brasil seguiram a tendência, tendo Bradesco PN (-3,95%), Itaú Unibanco (-3,35%) e Santander Unit (-2,39%) entre os principais destaques. 

Secundariamente, os papéis de bancos ainda teriam refletido dados de aumento de inadimplência divulgados nesta segunda-feira, 27. Segundo o Banco Central, a taxa de inadimplência no crédito livre ficou em 5,9% em maio ante 5,7% do mês anterior. 

As ações da Petrobrás também foram destaque de baixa, ao acompanhar a desvalorização dos preços do petróleo nas bolsas de Nova York (-2,75%) e Londres (-2,58%). Ao final do pregão, Petrobrás ON (ações com direito a voto) teve perda de 5,51% e Petrobrás PN (preferência no recebimento de dividendos), de 5,08%. Já a alta de 3,5% do minério de ferro no mercado à vista chinês não foi suficiente para sustentar as ações da Vale em alta. Os papéis chegaram a subir pontualmente, mas se renderam às ordens de venda ainda pela manhã e terminaram o dia em queda de 2,70% (ON) e de 1,72% (PNA).

Assim como aconteceu na sexta-feira, a baixa da Bovespa nesta segunda foi considerada "comedida" pelos analistas. Embora as ordens de venda de ações tenham sido comandadas pelos investidores estrangeiros, o volume de negócios continuou baixo. Foram movimentados R$ 5,337 bilhões, contra R$ 6,488 bilhões da média diária de junho. Para analistas, a queda ainda reflete uma correção de preços, uma vez que os mercados vinham operando nos últimos dias animados pela expectativa de que o Brexit não se concretizaria.

Entre as ações que compõem o Ibovespa, as maiores altas do dia ficaram com Cosan ON (+2,27%), Raia Drogasil ON (+2,05%) e BB Seguridade ON (+1,95%). Com o resultado de hoje, o Ibovespa passa a acumular ganhos de 1,60% em junho e de 13,60% em 2016.

Câmbio. As preocupações em torno da saída do Reino Unido da União Europeia mantiveram a alta do dólar ante o real, em linha com o movimento do câmbio lá fora. A libra esterlina seguiu em baixa. O dólar à vista no balcão fechou aos R$ 3,3918, em alta de 0,42%, com aumento do volume total de negócios, para US$ 2,734 bilhões, ante US$ 1,667 bilhão na última sexta-feira. Como consequência da decisão britânica, as notas de crédito do Reino Unido foram rebaixadas pelas agências Standard & Poor's e Fitch

A valorização do dólar frente o real, porém, foi mais contida que no exterior. Isso devido a ingressos de recursos estrangeiros no mercado doméstico. Pesou também a perspectiva de migração de fluxo para cá decorrente da possibilidade de injeção de liquidez por Bancos Centrais nos mercados para estimular e garantir a estabilidade da economia. Além disso, o aumento da aposta no adiamento da alta de juros nos EUA para início de 2017 ajudou a conter a desvalorização do real.

Segundo operadores de câmbio, houve um movimento de antecipação da rolagem de contratos cambiais (dólar futuro e FRA de cupom cambial) na sessão, que favoreceu a elevação do volume de negócios em geral, e também das taxas no mercado de cupom cambial de curto prazo. A taxa do FRA de cupom de agosto na BM&FBovespa subia a 4,00% no final da tarde de segunda-feira, ante taxa de 3,75% do fechamento na sexta-feira.

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