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Dólar recua para R$ 3,52 com ação do Banco Central e exterior mais calmo

Após ultrapassar os R$ 3,55 esta semana, moeda americana caiu 0,79% na última quinta-feira

Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

03 Maio 2018 | 11h11

Após duas sessões de forte alta em relação ao real e de ter ultrapassado a casa dos R$ 3,55, o dólar fechou nesta quinta-feira, 03, em baixa de 0,79%, cotado a R$ 3,5236. O dólar turismo, que também vinha em alta, cedeu 0,62%, fechando aos R$ 3,6700. O recuo ocorreu um dia após o Banco Central indicar a intenção de atuar no mercado para segurar a pressão da moeda americana, intensificada no último mês.

O BC vendeu US$ 445 milhões em contratos de swap – um tipo de papel ligado ao câmbio. A operação, cujo efeito é equivalente à venda da moeda americana no mercado futuro, ajudou a segurar as cotações – que tiveram também forte influência do mercado externo, que operou sem as turbulências dos dias anteriores. “Com a pequena intervenção, o BC sinaliza que atua apenas para conter a volatilidade, sem interferir na tendência do câmbio”, afirmou o economista Gustavo Cruz, da XP Investimentos.

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Apenas em abril, o dólar à vista avançou 6%, saltando da casa dos R$ 3,30 para acima dos R$ 3,50 – cenário vivido também em outros países.

O movimento é explicado pelo fato de os juros nos EUA, na faixa entre 1,50% e 1,75% ao ano, estarem mais elevados hoje em relação ao que era visto no passado recente. Além disso, o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) tem sinalizado a intenção de promover mais duas ou três elevações dos juros ainda em 2018.

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Ao mesmo tempo, a Selic (a taxa básica de juros) no Brasil está no menor patamar da história: 6,50% ao ano. Para piorar, o risco de uma guerra comercial entre EUA e China tem elevado a busca por ativos mais seguros ao redor do mundo, como o dólar. O “diferencial de juros” menor entre Brasil e EUA impulsionou a moeda americana ante o real, embora alguns profissionais avaliem que o cenário de indefinições políticas também ajuda a explicar o movimento mais recente do câmbio.

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“O que aconteceu até aqui foi muito relacionado ao ambiente externo e alguma coisa ao interno – que diz respeito a todo esse desconforto que começa a crescer com a incerteza eleitoral”, afirmou o economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria Integrada.

A má notícia é que, à medida que a campanha eleitoral avançar, a tendência é de intensificação da pressão de alta para o dólar no Brasil, justamente porque o cenário político é nebuloso. “A história da campanha em si e da atenção que os mercados vão dar a isso deve se concentrar no terceiro trimestre. Não é no segundo trimestre que esse jogo vai ser jogado”, alerta o economista Mauro Schneider, da MCM Consultores.

A mais recente edição da pesquisa Focus, realizada com mais de uma centena de instituições financeiras e divulgada na segunda-feira, mostrou que os analistas de mercado elevaram ligeiramente suas projeções para o câmbio no fim deste ano. A cotação subiu de R$ 3,33 para R$ 3,35.

Mesmo que a pressão de alta do dólar ante o real se intensifique durante a corrida eleitoral de 2018, os economistas do mercado foram unânimes em afirmar que, desta vez, o BC está mais preparado para enfrentar a volatilidade. Isso porque, durante a campanha eleitoral de 2014, o BC carregava um estoque de swaps que chegou a ser superior a US$ 100 bilhões, ou quase um terço das reservas internacionais. Agora, o estoque do BC está em US$ 23,8 bilhões, o que deixa uma margem confortável para a instituição atuar. As reservas internacionais brasileiras estão hoje em US$ 381,5 bilhões. /COLABOROU ANA PAULA RAGAZZI

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