ADEK BERRY/AFP
ADEK BERRY/AFP

Bolsa fecha em alta e dólar em baixa com alívio no exterior

Moeda americana recuou 0,23%, cotada a R$ 4,1425, enquanto o Ibovespa, principal índice de ações do País, subiu 0,51%, aos 75.092,27 pontos

Reuters

05 Setembro 2018 | 11h55
Atualizado 05 Setembro 2018 | 19h07

O dólar fechou a quarta-feira, 5, com leve queda ante o real, com pouco mais de alívio na cena externa favorecendo uma leve correção, mas o cenário eleitoral doméstico ainda continuou gerando cautela nos investidores.

A moeda americana recuou 0,23%, a R$ 4,1425 na venda, depois de oscilar entre a máxima de R$ 4,1858, atingida logo pela manhã, e a mínima de R$ 4,1124, vista no início da tarde. O dólar futuro para outubro terminou o dia em queda de 0,40%.

Só em agosto, o dólar havia saltado 8,23% frente ao real e, nos dois pregões passados, subiu 2,16%, aproximando-se do seu maior patamar histórico de fechamento, de R$ 4,1720, em 21 de janeiro de 2016.

O exterior deu uma boa melhorada. Acabamos acompanhando”, afirmou o superintendente da Correparti Corretora, Ricardo Gomes da Silva.

O dólar caía ante uma cesta de moedas após notícia de que os governos do Reino Unido e da Alemanha teriam abandonado as principais demandas do Brexit, potencialmente facilitando a trilha para o acordo de separação, o que favoreceu o euro e a libra.

Mais cedo, a moeda norte-americana chegou a subir em meio a temores de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, possa intensificar a guerra comercial com a China ao impor tarifas sobre mais importações chinesas.

O dólar também passou a cair frente a moedas de países emergentes, como o peso chileno, mexicano e até mesmo argentino.

A Argentina vem sofrendo fortes turbulências e crise econômica, levando o governo a buscar adiantar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Internamente, o cenário eleitoral manteve a cautela dos investidores, diante da indefinição sobre a chapa petista à Presidência da República. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve sua candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na madrugada do último sábado com base na Lei da Ficha Limpa.

Na decisão, a Justiça deu prazo até o dia 11 de setembro para o PT escolher um substituto para a cabeça de chapa. Fernando Haddad é o plano B do PT e deverá assumir este papel.

Com isso, a divulgação de pesquisas eleitorais previstas para esses dias foram postergadas. O Ibope fez uma consulta ao TSE após realizar uma “adequação” que retirou da pesquisa o cenário com Lula. E o Datafolha, que divulgaria levantamento nos próximos dias, resolveu suspendê-lo e fazer outro para publicar na próxima segunda-feira.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas. Como Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos, os investidores temem que sua exposição maior dê força à transferência de votos a Haddad.

O Banco Central brasileiro ofertou e vendeu integralmente 10,9 mil swaps cambiais tradicionais, equivalentes à venda futura de dólares, rolando US$ 1,635 bilhão do total de US$ 9,801 bilhões que vence em outubro.

Se mantiver essa oferta diária e vendê-la até o final do mês, terá feito a rolagem integral.

Ibovespa retoma patamar de 75 mil pontos

O Ibovespa, principal índice de ações do País, terminou o dia em alta, após sofrer duas quedas seguidas, com as ações da Suzano Papel e Celulose liderando os ganhos ao avançar mais de 7%, embora permaneçam os receios com o cenário eleitoral.

O índice subiu 0,51%, a 75.092,27 pontos, após acumular queda de 2,6% nos dois pregões anteriores. O volume financeiro somou R$ 7,67 bilhões, novamente abaixo da média diária do ano.

Profissionais da área de renda variável citaram que o alívio no pregão foi favorecido pela trégua na deterioração de moedas de mercados emergentes na esteira de crises em países como Turquia e Argentina, além das incertezas eleitorais no Brasil.

Na visão de um desses profissionais, também não houve grandes novidades do lado político e a ausência de pesquisas tirou um pouco de pressão. “As próximas já podem mostrar um efeito maior dos programas na televisão”, avalia.

Investidores aguardam para ver se os programas serão suficientes para alavancar a candidatura do tucano Geraldo Alckmin, visto pelo mercado como o candidato com maior chance de implementar reformas, mas que tem patinando nas pesquisas.

A alta do Ibovespa ocorreu apesar da fraqueza em Wall Street, onde a queda das ações do Facebook e do Twitter pesaram nos negócios, assim como o desconforto com o embate comercial dos EUA com parceiros econômicos importantes.

Entre os destaques, a Suzano disparou 7,4%, após a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) rejeitar pedidos para interromper o prazo de convocação de um assembleia de acionistas da Fibria para avaliar, entre outras propostas, fusão entre as companhias. Na máxima, os papéis chegaram a R$ 55, recorde de preço durante um pregão. Já a Fibria perdeu 1,95%.

A Vale valorizou-se 0,29%, tendo no radar relatório do Itaú BBA revisando estimativas para a companhia e mantendo recomendação positiva de seus papéis negociados nos Estados Unidos, conforme os analistas da casa veem a mineradora bem posicionada para gerar fluxos de caixa consideráveis e aumentar os retornos dos acionistas nos próximos anos.

Já a Ambev encerrou em alta de 0,72%, ensaiando uma recuperação após cair nos quatro pregões anteriores, período em que acumulou perda de 6,44%.

Na ponta vermelha do Ibovespa, a Smiles desabou 7,57%, pressionada por notícia de que a Latam decidiu não renovar contrato operacional com sua controlada Multiplos e fechar o capital da operadora de programas de fidelidades.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.