Dólar para viajar já custa R$ 2

Desvalorização do real tende a desestimular viagens internacionais, após expansão de 15% este ano

O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2011 | 03h07

Turistas que pretendem viajar ao exterior já estão pagando até R$ 2 pelo dólar em algumas casas de câmbio. Se a cotação continuar elevada, muitos brasileiros podem desistir de roteiros internacionais e optar por viagens internas nas próximas férias, segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav). De janeiro a agosto, o número de viagens internacionais cresceu 15% em relação ao ano passado, e muitos brasileiros viajaram pela primeira vez ao exterior.

Agora, a desvalorização do real ante o dólar tende a atrair mais turistas estrangeiros ao País. Na corretora Confidence, que tem 120 lojas em várias cidades do País, a cotação do dólar ontem estava em R$ 1,95.

Nos últimos dias, aumentou o número de clientes pedindo informações sobre a cotação, diz o presidente da empresa, Paulo Volpe. Segundo ele, a desvalorização ao real ainda não chega a provocar desistências de quem já comprou pacotes de viagem, mas deve levar muitos brasileiros que ainda estão escolhendo o destino das férias a escolher entre as opções no Brasil ou Argentina.

"O dólar estava muito barato, apenas ficou menos barato", comenta Volpe. "O que atrapalha é a instabilidade, que dificulta o planejamento das empresas e das pessoas", acrescenta.

Paraguai. A valorização do dólar tende a reduzir o número de pessoas que procuram Ciudad del Este, no Paraguai, para compras. Mas o presidente do Centro de Importadores e Comerciantes do Alto Paraná, Charif Hammoud, garante que o câmbio praticado por lojistas paraguaios não deve seguir a alta observada no Brasil. "Enquanto a cotação ficar abaixo de R$ 2, o Paraguai vai continuar atrativo para compras."

Proprietário do Shopping Monalisa, ele disse que a cotação do dólar estava R$ 1,92 ontem. No entanto, em alguns estabelecimentos o câmbio já chega a R$ 2 ou um pouco mais. Segundo Hammoud, a alta do dólar pode beneficiar o comércio na fronteira, já que muitos brasileiros vão deixar de viajar para os Estados Unidos ou Europa.

A empresa de turismo Capellitur tinha programado dois ônibus para deixar Curitiba na noite de ontem com destino a Foz do Iguaçu, levando cerca de 70 pessoas para compras no Paraguai. A organizadora da viagem, Rosimeire Rodrigues, disse que oito pessoas desistiram.

O diretor financeiro da Associação Comercial de Foz do Iguaçu, Carlos Michelon, acha que o dólar mais caro é positiva. A valorização do real em relação à moeda paraguaia estava prejudicando fornecedores locais de alimentos, serviços e confecções, disse ele. / EVANDRO FADEL

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