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Dólar paralelo na Argentina ameaça ultrapassar 10 pesos

Mesmo com ações do Banco Central, a cotação do paralelo continua a crescer às vésperas das eleições parlamentares

ARIEL PALACIOS, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2013 | 02h14

A cotação do dólar paralelo encerrou em 9,88 pesos na sexta-feira na Argentina e em diversas ocasiões ao longo da jornada alcançou os 9,90 pesos. Os analistas indicam que essa alta é uma demonstração de que estariam fracassando as manobras do governo da presidente Cristina Kirchner para manter o dólar paralelo abaixo da faixa de 10 pesos - nível ironicamente denominado de "dólar-Messi" - antes das eleições parlamentares de domingo. As pesquisas de opinião pública indicam que o governo deve sofrer uma dura derrota nas eleições.

Nas últimas duas semanas, o Banco Central vendeu US$ 700 milhões para conter a alta do paralelo, além de fazer blitze em casas de câmbio ilegais, as denominadas "cuevas" (covas), para intimidar os "arbolitos" (doleiros). Fontes da city financeira portenha indicam que a alta do paralelo só não foi maior por temor, por parte dos operadores, de que o governo Kirchner - mais especificamente o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno - retalie o setor.

Por trás da alta da moeda americana na Argentina, afirmam os analistas, estão os temores de que o governo Kirchner adote maiores restrições ao dólar por intermédio do uso dos cartões de crédito no exterior para os turistas argentinos. Além disso, existem desconfiança sobre como seria a política econômica do governo após as eleições parlamentares. Os analistas especulam sobre uma eventual radicalização da política econômica, com mais intervencionismo nos dois anos seguintes, período no qual o país estaria em plena "transição".

O dólar oficial aumentou 10 centavos nos últimos 30 dias. Ao longo desse período, a alta do paralelo foi de 53 centavos. Nos últimos 12 meses, a cotação do paralelo cresceu 55%. No mesmo período, os títulos da dívida pública argentina tiveram aumento médio de 24%.

Cruzada. A presidente Cristina Kirchner deslanchou nos últimos dois anos uma cruzada antidólar, implementando uma série de barreiras que praticamente impede que os argentinos possam adquirir a divisa americana. A bateria de barreiras foi ironicamente chamada de "corralito verde".

Em maio, a cotação chegou ao recorde de 10,45 pesos, motivo pelo qual foi denominado ironicamente de "dólar-Messi", em referência ao número 10 da camiseta de Lionel Messi, astro argentino do futebol que joga no Barcelona.

Na época, imediatamente o governo Kirchner ordenou ao Banco Central uma intensa intervenção no mercado de câmbio para forçar uma queda da cotação. Além disso, o secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, pressionou os cambistas que operam no centro portenho.

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