Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsa sobe pelo terceiro dia seguido e dólar passa por ajuste técnico

Moeda norte-americana encerrou o dia cotada a R$ 3,88 no mercado à vista; cotação passou por ajuste técnico devido à disparada do dólar no mercado futuro na sexta-feira

Paula Dias e Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

19 de outubro de 2015 | 10h48

Atualizado às 18h06

SÃO PAULO - A Bovespa teve um pregão bastante volátil, mas fechou o dia com um saldo positivo. O Ibovespa terminou a sessão em alta de 0,45%, aos 47.447,31 pontos, marcando a terceira alta seguida. O dólar, por sua vez, teve um de ajustes técnicos após a presidente Dilma Rousseff garantir a permanência do ministro Joaquim Levy no Ministério da Fazenda.

O mercado operou entre altas e baixas em razão do exercício e por causa da pressão baixista dos dados chineses nas commodities e também nas bolsas norte-americanas. 

No exterior, a China anunciou que seu Produto Interno Bruto (PIB cresceu 6,9% no terceiro trimestre, seu desempenho mais fraco desde 2009, porém acima da previsão de 6,8% dos analistas. A produção industrial e os investimentos em ativos fixos vieram mais fracos que o esperado em setembro. 

Com isso, Petrobrás ON cedeu 0,31%, enquanto a PN ficou estável. Vale ON recuou 3,37% e Vale PNA, 3,55%. A mineradora caiu, apesar de apresentar dados considerados positivos sobre produção. No setor siderúrgico, Gerdau PN, -1,45%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,96%, Usiminas PNA, 3,60%, mas CSN ON subiu 2,19%. 

Câmbio. A segunda-feira foi um misto de alívio e cautela no mercado de câmbio, que dividiu as atenções entre fatores nacionais e internacionais. Após a disparada do dólar para novembro no fim da sessão de sexta-feira, em meio a rumores sobre a saída de Joaquim Levy do Ministério da Fazenda, a moeda neste vencimento recuou hoje durante toda a sessão. Isso porque a presidente Dilma Rousseff garantiu a permanência de Levy no cargo. No mercado à vista, a divisa americana subiu durante todo o dia, em meio a ajustes técnicos após a disparada das cotações no segmento futuro na reta final da sexta-feira. O dólar à vista fechou cotado a R$ 3,889 (+1,28%). Já o dólar futuro para novembro, que encerra apenas às 18 horas, era negociado a R$ 3,902 (-0,90%). 

Em função da forte volatilidade verificada no câmbio nos últimos meses, aliás, o Broadcast, serviço de informações em tempo real da Agência Estado, também passará a calcular e a divulgar, a partir desta terça-feira, 20, cotações do dólar à vista até as 18 horas.    

As declarações de ontem da presidente Dilma Rousseff reforçando a permanência de Joaquim Levy à frente do Ministério da Fazenda foram bem recebidas no mercado, que encerrou a semana passada com alto grau de desconfiança quanto ao futuro do ministro. Os rumores em torno de uma suposta carta de demissão no final da tarde de sexta-feira pareciam fazer sentido, uma vez que a política econômica de Levy vinha sofrendo críticas dentro do PT e, principalmente, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em Estocolmo (Suíça), Dilma foi enfática ao garantir que Levy não está saindo do governo e classificou como especulação os questionamentos quanto a esse assunto. O mercado respondeu com alívio, mas não deixou de lado a cautela com a questão política. Isso porque a percepção é de que o "fogo amigo" em torno de Levy deve continuar nos próximos dias, uma vez que há assumida discordância em setores do PT em relação à condução da política econômica do governo.

Além da permanência de Levy em seu cargo, há ainda as incertezas quanto à sobrevivência do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMBD-RJ), que busca manter seu cargo em meio às crescentes evidências de manutenção de contas secretas na Suíça. Nas mãos de Cunha também estão os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Nesta tarde, o presidente da Câmara confirmou que deverá protocolar ainda hoje os recursos às liminares concedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) barrando o rito de tramitação do processo de impeachment.

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