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Dólar pode chegar a R$ 1,60, prevê ex-presidente do BC

Gustavo Loyola diz ainda que não vê pressão inflacionária e que juro só deve subir no final de 2010

Luciana Xavier e Cristina Canas, da Agência estado,

13 de outubro de 2009 | 15h16

Diante das perspectivas de retomada forte da economia, o real deve continuar se valorizando ante o dólar e contra isso há pouco o que o Banco Central possa fazer, acredita o ex-presidente do Banco Central e sócio-diretor da Tendências Consultoria Gustavo Loyola. "O BC tem feito o possível no câmbio, praticamente raspando o tacho todos os dias. Mas a tendência é de apreciação e não há como remar contra essa corrente", afirmou Loyola, em entrevista ao AE Broadcast Ao Vivo. Loyola prevê que a moeda pode cair logo abaixo de R$ 1,70 e buscar nos próximos meses a cotação de R$ 1,65 ou mesmo R$ 1,60.

 

Veja também:

som Ouça a entrevista na íntegra

link Mercado eleva previsão de alta do PIB e juros 

 

Loyola disse ainda que não vê pressões inflacionárias no Brasil nos próximos meses e que se o Banco Central vier a subir o juro será mais para o final de 2010, preocupado com 2011.

 

Por volta das 13h30, a moeda americana operava em queda de 0,23%, a R$ 1,733. Este ano, a moeda já enfraqueceu 25,78% ante o real, apesar de o BC estar agindo mais agressivamente para absorver os dólares que entram no País, como ao comprar cerca de US$ 4,5 bilhões em um único dia, via leilão, referentes à oferta pública do banco Santander Brasil.

 

Loyola não avalia que o Fundo Soberano do Brasil (FSB) pudesse ser usado para reforçar o processo de compra de dólares no mercado, como defendem alguns, e com isso estancar o processo de queda da moeda americana. "Continuo muito crítico em relação ao fundo. Pegar dólares das reservas e colocar em outra caixinha não é fundo soberano estrito senso", afirmou. "Até agora o fundo não serviu para nada", acrescentou.

 

O ex-presidente do BC notou, inclusive, que talvez nem seja mais preciso continuar acumulando reservas internacionais, pois isso "tem certo custo marginal na taxa Selic". "O benefício do acúmulo (de reservas) é decrescente. Cada vez precisamos menos de ter mais reservas". Teoricamente, afirmou Loyola, a continuidade desse aumento do colchão de reservas poderia pressionar o BC a subir juros no futuro. "Acredito que no regime de metas de inflação, o BC não deve se importar com o que acontece no câmbio. Só que no mundo real não é bem assim", disse. Segundo ele, o que se vê em países com regime de câmbio flutuante acaba não sendo uma flutuação "totalmente limpa", mas uma "flutuação suja".

 

Crescimento de 5%

 

O ex-presidente do BC acredita que o Brasil tem condições de crescer 5% no ano que vem e que esse crescimento será balizado no consumo interno. "O Brasil é visto como a bola da vez pelo potencial de crescimento doméstico", disse. Isso deve significar, segundo ele, uma forte entrada de recursos no País daqui para frente de investidores apostando no Brasil não para especular, mas para fazer investimentos de médio e longo prazo.

 

Loyola aproveitou para dizer que o Banco Central sob o comando de Henrique Meirelles se provou muito competente e que, pessoalmente, gostaria de ver Meirelles na presidência do BC até o final do mandato, mas que, se não for possível, ao menos ele seja substituído por alguém da diretoria da instituição. "Um dos diretores seria uma opção de continuidade", disse.

 

Crise fiscal

 

Loyola afirmou que a situação fiscal do País é uma preocupação grande, ainda que não haja risco eminente de uma crise fiscal. Ele ressaltou que boa parte dos gastos feitos pelo governo durante a crise se refere a gastos de custeio e não de investimentos e que o governo deveria aumentar o esforço em 2010 para reduzir as despesas. Por outro lado, Loyola disse que "é provável que a arrecadação volte a aumentar no ano que vem", o que, segundo ele, exigiria um esforço menor do governo para cumprir a meta de superávit primário em 2010.

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