Dólar pode perder status, avisa presidente do Banco Mundial

Robert Zoellick afirma que dólar provavelmente enfrentaria competição como moeda de reserva no mercado

NATHÁLIA FERREIRA, Agencia Estado

28 de setembro de 2009 | 13h23

Pedindo um esforço coordenado para reequilibrar a economia global e a estrutura de poder, o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou nesta segunda-feira, 28, que o dólar pode cada vez mais perder seu status de moeda de reserva dominante em um mundo multipolar. Em texto preparado para discurso sobre as causas e implicações da crise, Zoellick disse que o dólar continuaria sendo uma "moeda importante", mas que provavelmente enfrentaria competição como moeda de reserva.

"Os Estados Unidos estariam errados em tomar como certo a posição do dólar como moeda de reserva predominante do mundo", disse Zoellick à Escola Paul H. Nitze de Estudos Internacionais Avançados, da Universidade Johns Hopkins. Em seu comentário mais forte, Zoellick afirmou que, "olhando adiante, haverá cada vez mais opções ao dólar".

A China e a Rússia têm liderado os pedidos por uma moeda de reserva alternativa ao dólar, enxergando os EUA como a causa da crise. Os países também estão preocupados com os elevados níveis de dívida dos EUA, que tornam o sistema monetário global ainda mais vulnerável.

Zoellick disse ainda que o futuro do dólar estará ligado à capacidade dos EUA de reduzir a carga de dívida sem provocar inflação, ao mesmo tempo que um sistema financeiro e um setor privado saudáveis sejam restabelecidos. Embora a União Europeia enfrente desafios semelhantes, Zoellick vê o euro como "uma alternativa respeitável se o dólar estiver fraco". O yuan, embora controlado de forma apertada, também pode se tornar uma força nos próximos 10 a 20 anos, disse ele.

No entanto, o presidente do Banco Mundial afirmou que a economia global pode se beneficiar de pontos múltiplos de crescimento. Ele reiterou o pedido por um modelo econômico de "globalização responsável" que seja mais equilibrado, justo e favorável ao meio ambiente.

O pacto do G-20 (grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo), de reequilibrar o crescimento, é um passo na direção certa, afirmou Zoellick. "Mas vai exigir um novo nível de cooperação e coordenação internacional, incluindo uma nova disposição de levar a sério as descobertas do monitoramento global." Zoellick também saudou a decisão do G-20 de substituir o G-8 como principal fórum econômico internacional, afirmando que ele deve agir como "grupo de direção" para unir uma rede de países e instituições internacionais. As informações são da Dow Jones.

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