Dólar pouco atrativo inibe exportadores, diz Gianetti

A queda da cotação do dólar pode inibir as decisões de investimentos por parte dos exportadores e reduzir as metas de aumento das exportações para 2005. "Com o dólar menos atrativo, fico preocupado com que o desempenho das exportações se retraia", avaliou Roberto Gianetti da Fonseca, consultor e ex-secretário executivo da Camex, em entrevista concedida ao programa Conta Corrente, da "Globo News". Pelos cálculos de Gianetti, as exportações devem crescer entre 5% e 10% este ano, porcentual considerado positivo por ele. "Se as exportações crescerem 10% em relação a 2004, o volume sobe para US$ 104 bilhões. Mesmo que as importações cresçam o dobro, para US$ 76 bilhões, essa diferença dá um saldo de US$ 27 bilhões, US$ 28 bilhões na balança. Do ponto de vista macroeconômico, esse resultado é muito positivo", aponta. O problema, segundo o consultor, está no aspecto social. Pelas contas de Gianetti, dois terços dos empregos gerados no Brasil em 2004 foram criados pelo aumento das exportações. Com exportações menores, fica mais difícil gerar vagas e o governo conseguir atingir a sua meta de criar 10 milhões de empregos em quatro anos. Sobre o fim das cotas para produtos têxteis, Gianetti avalia que o grande ganhador com essa medida é a China, por ter uma indústria de confecção altamente competitiva. Isso pode gerar o aumento das importações de produtos desse setor no Brasil, o que atrapalharia a indústria local. Gianetti acredita que há fôlego nesse cenário para o setor de cama, mesa e banho, "segmento em que o mercado brasileiro é altamente competitivo".

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